O mercado de trabalho para jornalistas passa por uma transformação que vem alterando o perfil da profissão e ampliando os caminhos possíveis para quem escolhe a área. A redução dos empregos formais em jornais e revistas convive com o crescimento de oportunidades em assessorias de imprensa, comunicação corporativa, audiovisual, redes sociais e outros segmentos da indústria criativa.
Entre 2015 e 2025, o número de empregos formais de jornalistas em jornais e revistas caiu 52,3%, passando de 9.870 para 4.709 postos. Ao mesmo tempo, a assessoria de imprensa ganhou espaço e, em 2025, já representava 25,2% dos vínculos formais de profissionais da área.
Os dados refletem uma mudança que também alcança as universidades. A formação jornalística deixou de estar concentrada apenas nas rotinas tradicionais de redações e passou a incorporar diferentes linguagens e ferramentas utilizadas na produção e distribuição de informação.
Na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), os estudantes de Jornalismo têm contato com diferentes possibilidades profissionais ao longo da graduação. A proposta combina formação teórica e experiências práticas, permitindo que os acadêmicos conheçam áreas distintas da comunicação e desenvolvam habilidades aplicáveis ao mercado.
Experiência prática durante a graduação
A aproximação com a realidade profissional também ocorre por meio da atuação de professores com experiência no mercado, que compartilham situações e desafios encontrados no cotidiano da comunicação.
A troca entre os próprios estudantes também contribui para ampliar a percepção sobre as possibilidades de carreira. Ao longo do curso, os acadêmicos podem experimentar diferentes atividades e identificar áreas com as quais possuem maior afinidade.
Um dos exemplos é o LabEx, laboratório de experimentação da ULBRA que reúne estudantes dos cursos de Jornalismo, Design e Marketing para a produção de conteúdos destinados às redes sociais.
No espaço, os acadêmicos participam de atividades que incluem cobertura de eventos, entrevistas, fotografia, produção audiovisual, planejamento e publicação de conteúdos.
Além do desenvolvimento técnico, a experiência permite lidar com situações próximas às encontradas no mercado, como trabalho em equipe, cumprimento de prazos e atendimento a demandas reais.
Outro resultado é a possibilidade de começar a construir um portfólio ainda durante a graduação.
Estudante amplia visão sobre a profissão
A estudante Jéssica Nicole Oliveira, atualmente no 5º semestre de Jornalismo, é uma das acadêmicas que vivenciam essa experiência.
Quando ingressou na graduação, o objetivo era compreender melhor a profissão e descobrir possibilidades de atuação na área da comunicação. Com o avanço do curso e a participação no LabEx, ela passou a enxergar o Jornalismo de maneira mais ampla.
“Entrar no curso e participar do LabEx tem sido uma experiência muito importante para entender, na prática, como funciona a comunicação. A cada atividade, percebo que o Jornalismo oferece muitas possibilidades e que posso aprender diferentes linguagens enquanto desenvolvo meu próprio jeito de trabalhar.”
A experiência fez com que fotografia, vídeo, produção de conteúdo e comunicação digital passassem a integrar os interesses profissionais da estudante, ao lado da formação jornalística.
Jéssica ainda não decidiu qual área pretende seguir depois de concluir a graduação. Para ela, porém, a possibilidade de experimentar diferentes caminhos ajuda justamente nesse processo de escolha.
“Eu ainda tenho dúvidas sobre qual área do Jornalismo vou seguir, mas hoje vejo isso de forma positiva. Durante a graduação, descobri interesses que não conhecia e percebi que posso atuar com reportagem, fotografia, vídeo ou comunicação digital. Ter contato com essas possibilidades me ajuda a fazer escolhas com mais segurança.”
Novas ferramentas, mesmos fundamentos
A transformação do mercado também traz desafios para quem está ingressando na profissão. O domínio de novas plataformas, formatos e linguagens se tornou cada vez mais importante, mas não substitui fundamentos essenciais do Jornalismo.
Apuração, análise, responsabilidade, ética e capacidade de compreender o contexto em que uma informação é produzida continuam sendo elementos centrais da atividade profissional.
Nesse cenário, a graduação assume um papel que vai além do ensino das técnicas tradicionais. A experiência prática permite que os estudantes conheçam diferentes ambientes de trabalho, testem habilidades e compreendam as exigências do mercado antes mesmo de concluírem o curso.
A trajetória de Jéssica representa uma realidade que ganha espaço entre os futuros profissionais: a informação continua sendo o centro do Jornalismo, mas as formas de produzi-la, apresentá-la e distribuí-la se multiplicaram.
Reportagem, fotografia, vídeo, redes sociais, comunicação digital e assessoria estão entre os caminhos possíveis para quem ingressa na profissão. A expansão dessas áreas não elimina os desafios do mercado, mas amplia as possibilidades de construção de uma carreira alinhada às transformações da comunicação.





