Gravataí anuncia reajuste da tarifa de ônibus e reestruturação do transporte coletivo

Prefeitura aponta aumento de custos, queda no número de passageiros e necessidade de priorizar investimentos em saúde, educação e resiliência climática

 

A Prefeitura de Gravataí iniciou um processo de reestruturação do modelo de financiamento do transporte coletivo urbano. A medida inclui a racionalização de horários de viagens e a revisão da tarifa de ônibus, diante do aumento dos custos operacionais, redução do número de passageiros e insuficiência de recursos federais para subsidiar o sistema.

Segundo o município, as mudanças fazem parte de uma estratégia para priorizar investimentos em áreas consideradas essenciais, como saúde, educação e resiliência climática.

 

Ajustes nas linhas já geraram economia

Entre janeiro e março, a Prefeitura realizou, em caráter experimental, a otimização de 81 viagens em linhas com baixa ocupação, especialmente em horários intermediários. De acordo com a administração municipal, as alterações não afetaram os horários de maior movimento.

A medida gerou uma economia de aproximadamente R$ 100 mil no primeiro trimestre, valor que, segundo a Prefeitura, está sendo direcionado principalmente para serviços de saúde, incluindo a manutenção do Hospital Dom João Becker, que demanda aporte mensal de R$ 6,2 milhões.

 

Tarifa sobe para R$ 8,50

Com a reestruturação, a tarifa do transporte coletivo de Gravataí será reajustada para R$ 8,50 a partir do próximo sábado (9).

De acordo com a Prefeitura, o novo valor busca adequar a arrecadação aos custos operacionais atuais do sistema.

Atualmente, o município investe em média R$ 1,5 milhão por mês para subsidiar o transporte público. Desde 2022, já foram destinados cerca de R$ 18 milhões ao sistema, com o objetivo de reduzir o valor da passagem e manter o funcionamento das linhas.

 

Falta de repasses federais agrava cenário

Outro fator apontado pela Prefeitura é a redução dos recursos do Fundo Especial do Petróleo (FEP), utilizado no programa Pró-Coletivo.

Quando o programa foi implantado, o FEP cobria integralmente o subsídio do transporte coletivo. Hoje, apenas 50% do custo é financiado com recursos federais, enquanto o restante é pago pelo município.

O secretário de Mobilidade Urbana, Flávio Luciano Ribeiro, afirmou que o modelo atual se tornou financeiramente insustentável.

“Chegamos a um ponto em que precisamos repensar estrategicamente o transporte urbano de Gravataí. Manter os investimentos nos patamares atuais comprometeria outras áreas essenciais”, explicou.

 

Prioridade para saúde, educação e prevenção climática

A Prefeitura destacou que vem ampliando investimentos em áreas estratégicas. Na saúde, Gravataí aplica atualmente 26% da receita municipal, acima do mínimo constitucional de 15%.

Desde 2021, o município entregou 10 unidades de saúde e mantém investimentos no Hospital Dom João Becker.

Na educação, a contratação de monitores escolares recebeu aporte de R$ 8,84 milhões em 2025, com previsão de chegar a R$ 14,56 milhões em 2026.

Já na área de resiliência climática, a administração destacou investimentos em drenagem e desassoreamento após a enchente de 2024.

O prefeito Luiz Zaffalon afirmou que o município precisou definir prioridades diante do cenário econômico.

“Não existe dinheiro para fazer tudo. Precisamos fazer escolhas e, neste caso, a prioridade é a saúde, a educação e a segurança dos gravataienses”, declarou.

 

Prefeitura seguirá monitorando sistema

A administração municipal informou que continuará acompanhando o funcionamento do transporte coletivo e mantendo diálogo com a concessionária para garantir a qualidade do serviço prestado à população.

 

 

 

 

Foto: Divulgação

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Peter Jaques
Peter Jaqueshttp://realnews.com.br
Peter Jaques é jornalista e criador de conteúdo apaixonado por contar histórias autênticas — do jornalismo esportivo à cobertura musical independente. Já atuou como repórter na Real News, acompanhando de perto as emoções do Sport Club Internacional, e também deu voz à cena alternativa em projetos como Preto No Metal e Motim Underground.Formado em Jornalismo pela UNIFRAN, une reportagem, locução e produção digital para criar conteúdos que informam, conectam e emocionam. Entre o campo e os palcos, sua escrita se destaca pelo olhar crítico e pela capacidade de envolver o público, sempre valorizando a experiência humana por trás de cada história.

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