O último episódio de Stranger Things encerra a série com uma narrativa que vai além do terror sobrenatural e reforça uma mensagem recorrente na cultura pop: muitas vezes, o verdadeiro vilão é o ser humano. Assim como em produções clássicas como Scooby-Doo, o desfecho revela que o “monstro” por trás dos acontecimentos era, na verdade, um homem marcado por traumas desde a infância.
De acordo com a história apresentada, quando ainda era criança, o personagem acabou provocando a morte de um homem em uma caverna, episódio que se tornou decisivo para sua formação psicológica. O trauma explica o medo e a recusa em retornar ao local, embora, em determinado momento, ele utilize a mente de Will para conseguir entrar na caverna e dar continuidade ao seu plano.
A série também sugere que, por trás da figura do vilão, existia alguém que foi apenas uma criança forçada a enfrentar situações extremas. Ainda assim, o personagem não demonstra arrependimento e mantém a intenção de matar os jovens protagonistas. A ameaça é finalmente neutralizada pela Onze, com a ajuda de todo o grupo, em uma das cenas mais marcantes da temporada final.
O encerramento aposta na nostalgia e na circularidade da narrativa. A cena final retorna ao porão da casa de Mike, local onde tudo começou na primeira temporada, quando os amigos se reuniam para jogar e contar histórias até serem chamados para o jantar. O simbolismo se completa ao mostrar Holly e seus amigos repetindo a mesma brincadeira, reforçando a ideia de continuidade, amizade e imaginação, mesmo após todos os acontecimentos traumáticos vividos pelo grupo.
Com isso, Stranger Things se despede conectando passado e presente, encerrando a história de forma coerente e emocional, sem perder o olhar crítico sobre a natureza humana.



