O empate em 2 a 2 contra o Montevideo City Torque, dentro da Arena, não foi acidente e muito menos surpresa. O resultado apenas escancarou a realidade de um Grêmio burocrático, desorganizado e cada vez mais distante do nível competitivo que sua camisa exige. A vaga nos playoffs da Copa Sul-Americana não veio por azar. Veio porque o time simplesmente não joga futebol suficiente para merecer algo maior.
Precisando vencer para garantir classificação direta às oitavas, o Grêmio foi dominado durante boa parte do primeiro tempo por um adversário tecnicamente inferior e sem qualquer tradição continental. O Torque teve mais intensidade, organização e agressividade. Abriu o placar, criou outras oportunidades e ainda teve um gol anulado enquanto o Grêmio assistia ao jogo sem reação, sem competitividade e sem capacidade de controlar minimamente a partida.
E isso já deixou de ser novidade.
O time de Luís Castro se tornou previsível, lento e extremamente pobre na criação ofensiva. A insistência em atuar com apenas dois homens no meio-campo continua destruindo o setor mais importante da equipe. O Grêmio não consegue marcar bem, não consegue criar e também não consegue controlar jogos. É um time sem equilíbrio e sem identidade.
Além do problema coletivo, as escolhas individuais do treinador seguem sendo difíceis de entender. Leónel Pérez, por exemplo, claramente não possui nível técnico para ser titular do Grêmio. O volante tem dificuldades básicas na saída de bola, marca cometendo faltas em excesso e transmite insegurança constantemente. A jogada da falta que origina o segundo gol do Torque nasce justamente de mais um erro seu. E a culpa não é apenas do jogador, mas principalmente de quem insiste em colocá-lo em campo como solução.
Na segunda etapa, Luís Castro colocou Arthur e Gabriel Mec, e o cenário mudou imediatamente. O time ganhou criatividade, intensidade e passou a empurrar o adversário para trás. O gol de empate saiu logo na primeira jogada da dupla. E isso expõe ainda mais os erros do treinador antes da bola rolar.
Se Arthur e Mec melhoram tanto o time, por que começam no banco? Qual o sentido de insistir em improvisações e jogadores que claramente não entregam o mínimo necessário?
Gabriel Mec, inclusive, já mostrou que merece sequência. Hoje ele é uma das poucas alternativas técnicas em um elenco extremamente limitado criativamente. Mantê-lo como reserva enquanto o time sofre para produzir futebol é insistir no erro.
O empate no fim evitou um vexame maior dentro da Arena, mas não muda o cenário preocupante. Dentro dos 90 minutos, o Montevideo City Torque foi mais organizado, mais competitivo e teve mais ideias que o Grêmio em vários momentos da partida. E isso é grave.
Agora Luís Castro terá a pausa da Copa do Mundo para aquilo que mais pediu desde que chegou: tempo para treinar. Não haverá mais desculpas sobre calendário, falta de pré-temporada ou ausência de tempo para ajustes.
A grande questão é saber se o treinador conseguirá tirar algo diferente de um time que, até aqui, parece mal treinado, mal escalado e sem qualquer evolução coletiva. Porque se o Grêmio voltar da pausa apresentando o mesmo futebol pobre e sem intensidade, a temporada que já é decepcionante pode se transformar em algo muito pior.
Foto: EFE/ Gastón Britos






