Opinião
Após a classificação dramática diante do Juventude e a confirmação na final do Gauchão, o Grêmio volta suas atenções para o Brasileirão. Nesta quarta-feira (25), às 21h30, na Arena, o Tricolor encara o Atlético-MG pela 4ª rodada, pressionado pela tabela: em nove pontos disputados, somou apenas três — uma vitória e duas derrotas. O momento exige reação imediata.
O cenário, no entanto, não é simples. Luís Castro terá problemas importantes para montar a equipe. Arthur sequer foi relacionado por conta de um desconforto físico e segue sob avaliação do departamento médico. Tetê e Willian continuam fora, ambos com problemas musculares, e ainda são dúvidas para o primeiro jogo da final do estadual, no domingo. Leonel Pérez também ficou de fora, ainda em processo de adaptação e recuperação de uma lesão na coxa sofrida quando defendia o Huracán.
A principal novidade é Juan Nardoni. O volante argentino pode fazer sua estreia e, inclusive, começar entre os titulares. Em meio às dificuldades, pode ser um alento para dar mais intensidade e consistência ao meio-campo.
Mas a grande reflexão passa pelo modelo de jogo. Contra o Juventude, a ideia inicial com três volantes não funcionou. O Grêmio foi dominado no primeiro tempo e teve uma atuação muito abaixo. A virada de chave aconteceu quando Luís Castro desfez a trinca de volantes e colocou Gabriel Mec como responsável pela ligação entre meio e ataque. O jovem deu dinâmica, criatividade e mudou o cenário da partida.
Diante de um adversário mais forte como o Atlético-MG, talvez seja o momento ideal para testar essa alternativa desde o início. Não como solução mágica — é preciso cautela ao depositar responsabilidades excessivas em um jovem —, mas como uma resposta coerente à carência criativa da equipe.
Gabriel Mec é promissor, talentoso e mostrou personalidade. Porém, precisa de suporte dos mais experientes e, sobretudo, de respaldo. Se tiver oportunidade e não corresponder de imediato, não pode ser “torrado” ou rotulado como insuficiente. Desenvolvimento exige tempo e ambiente favorável.
Hoje, dentro das opções disponíveis, ele se apresenta como o nome mais natural para ocupar a função que o time tanto necessita. Cabe a Luís Castro evitar repetir um erro recente e, quem sabe, transformar a necessidade em oportunidade. O jogo desta noite pode ser mais do que três pontos — pode ser o início de uma nova alternativa para o meio-campo gremista.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio



