É engraçado, né? Mal chega o ano de eleição e parece que todo político de repente descobre que a cidade existe e que tem muita coisa precisando de conserto. Aqui no bairro Partenon, em Porto Alegre, todo mundo percebeu: do nada, começaram a arrumar as coberturas das paradas de ônibus. Elas já estavam horríveis há tempos, cheias de buracos, quebradas, e quando chovia, a água caía toda para dentro, deixando a gente todo molhado enquanto esperava. Ninguém mexia, ninguém via… até que chegou a época de se candidatar.
E não é só isso. De uma hora para outra, eles aparecem em todo tipo de movimento que beneficia a população. Agora é comum ver vários políticos participando de motociatas e manifestações contra o feminicídio. É um tema muito sério, que infelizmente tem acontecido demais por aqui, causando revolta e tristeza em todo mundo. E de repente, todo mundo quer ser o defensor das causas importantes. Mesmo os que ainda são só pré-candidatos, já estão em tudo quanto é canto: fazendo ações comunitárias, distribuindo sopão para moradores de rua, tirando fotos ao lado de pessoas simples… tudo parecendo que sempre estiveram lá, cuidando de tudo.
Mas a verdade é que muita gente percebe o jogo: o pior de tudo é o político que fica os quatro anos inteiros parado, sem fazer nada, e só se mexe quando precisa de voto. As ruas que continuam esburacadas, as praças abandonadas, as estradas cheias de problemas… só ganham atenção perto da eleição. E o que dizer das áreas mais importantes, que são a base de tudo? Segurança, saúde e educação, que já estão tão precárias, continuam sofrendo, mas ninguém resolve de verdade — só prometem.
A segurança pública está cada vez pior. A gente vê notícia todo dia: trabalhadores, como os motoristas de aplicativo, sendo assaltados, ameaçados e até mortos enquanto tentam ganhar a vida. Ninguém consegue mais andar tranquilo. Na saúde, então, é uma luta só: os postos de saúde vivem sem médicos, sem remédios, e quando alguém precisa correr para uma emergência, encontra os hospitais lotados, sem leito para ninguém. Parece que a saúde pública só funciona bem mesmo no discurso de campanha.
E na educação? Então, nem se fala. O que eles mais fazem é inventar projetos novos, mudar regras, criar modas que não resolvem nada, mas na hora de arrumar o que realmente está errado dentro das escolas, ninguém faz nada. Não dão suporte direito aos professores, não ajudam os diretores, e pior: não se preocupam em ensinar e dar estrutura para receber alunos que têm transtornos neurológicos, incluindo as crianças. É tanta promessa, mas pouca ação de verdade.
O que todo mundo pensa é: se eles aparecem agora porque querem o nosso voto, por que não agem assim durante todo o mandato? Arrumar paradas, lutar por vidas, ajudar quem precisa, melhorar a segurança, a saúde e o ensino… isso tudo devia ser obrigação diária, e não só estratégia de campanha. O povo sabe diferenciar o que é compromisso de verdade e o que é só sorriso e foto para ganhar nas urnas.






