Diminuir o Futebol É Tentar Apagar Sonhos

Há lugares onde o futebol começa como brincadeira. Em outros, começa como refúgio. Na Ucrânia, muitas vezes, começa como resistência.

Enquanto o mundo discute números, audiência e investimentos, há quem jogue futebol entre sirenes, atrasos causados por alertas aéreos e o medo silencioso de não saber se todos estarão bem quando o jogo acabar. Ainda assim, a bola rola. E quando rola, ela carrega muito mais do que um simples passe: carrega sonhos, histórias e vidas inteiras.

O futebol feminino na Ucrânia cresce, mesmo ferido. Cresce porque meninas insistem em sonhar, mesmo quando tudo ao redor diz que não é o momento. Cresce porque há quem treine duas vezes por dia acreditando que o esforço pode, sim, vencer o caos. Cresce apesar da falta de estrutura, de campos, de recursos e de segurança. Cresce porque desistir nunca foi uma opção.

E fora da Ucrânia, no resto do mundo, quantas vezes esse mesmo futebol é tratado como algo menor? Quantas vezes tentam reduzir um esporte ao rótulo de “não vende”, “não dá retorno”, “não tem importância”? Como se fosse possível medir sonho em planilha, ou vida em estatística.

Diminuir um esporte é, muitas vezes, diminuir pessoas. É ignorar que para alguém aquele jogo é caminho, futuro, identidade. É esquecer que há quem atravesse cidades, países e perigos apenas para continuar jogando. Que há famílias inteiras acompanhando cada partida como quem acompanha uma batalha silenciosa pela continuidade da esperança.

O futebol não é só o que aparece no placar. É o que acontece antes do apito inicial e o que sobra depois do apito final. É a menina que ainda vive dentro da atleta adulta. É o medo que caminha junto com a coragem. É a escolha diária de continuar.

Por isso, quando tentam diminuir um esporte, o que realmente fazem é tentar diminuir sonhos. Mas sonhos, quando são verdadeiros, encontram sempre um jeito de seguir em frente. Mesmo sob sirenes. Mesmo em silêncio. Mesmo contra o mundo.

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