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Crianças, adolescentes e adultos “índigo”: crença espiritual não tem respaldo científico, alertam especialistas

A expressão “crianças, adolescentes e adultos índigo” surgiu em movimentos espiritualistas e da chamada New Age entre as décadas de 1970 e 1980. Segundo essa crença, algumas pessoas teriam uma suposta “aura índigo” e apresentariam características especiais, como maior sensibilidade emocional, criatividade acentuada, forte senso de justiça e espírito questionador.

Para os defensores da teoria, indivíduos classificados como “índigo” costumam ser descritos como muito intuitivos, críticos em relação a regras e autoridades, intensos emocionalmente e movidos por um propósito elevado. Essas descrições se popularizaram em livros, palestras e redes sociais, especialmente quando aplicadas a crianças que demonstram comportamento fora do padrão esperado.

No entanto, do ponto de vista científico e médico, não há evidências que sustentem a existência dessa categoria. Pesquisadores e profissionais da saúde afirmam que não existem exames, medições ou estudos reconhecidos que comprovem a presença de “auras” ou de grupos humanos definidos por cores energéticas. A ciência também não reconhece o termo como uma classificação psicológica, neurológica ou biológica.

Especialistas explicam que muitas das características atribuídas às pessoas “índigo” podem ser compreendidas por outros fatores já conhecidos: traços de personalidade, altas habilidades ou superdotação, sensibilidade emocional, temperamento e até condições neuropsiquiátricas reais em alguns casos, como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade, depressão ou transtorno do espectro autista. Em outras situações, tratam-se apenas de variações normais do comportamento humano.

Outro ponto levantado por profissionais é o risco de que o rótulo espiritual substitua uma avaliação adequada quando há sinais de sofrimento psicológico, dificuldades escolares ou problemas de convivência. Classificar uma criança apenas como “índigo”, sem investigação clínica, pode atrasar diagnósticos importantes e o acesso a apoio especializado.

Psicólogos e médicos ressaltam que a espiritualidade pode fazer parte da vida das pessoas e de suas famílias, mas não deve ocupar o lugar de acompanhamento profissional quando existem sintomas que interferem no bem-estar ou no desenvolvimento. O consenso científico é claro: até hoje, não há comprovação de que o conceito de “índigo” represente uma condição real — e toda preocupação com saúde mental deve ser tratada com base em evidências e cuidado especializado.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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