Uma nova tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul promete tornar mais ágeis as obras de saneamento e reduzir os impactos provocados pelas intervenções nas cidades. O equipamento multifuncional foi apresentado nesta terça-feira (11), em Canoas, e é resultado de uma parceria entre a Corsan e a empresa gaúcha Masal Indústria e Comércio.
A solução concentra, em uma única estrutura móvel, equipamentos utilizados em diferentes etapas de obras e serviços de manutenção das redes de água e esgoto. Atualmente em fase de testes na Região Metropolitana de Porto Alegre, a tecnologia foi projetada para simplificar a logística das equipes e diminuir o número de deslocamentos necessários durante as intervenções.
Com menos deslocamentos de máquinas e veículos, a expectativa é reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de gases de efeito estufa associadas às operações. A solução também pode contribuir para diminuir o período em que ruas precisam permanecer parcialmente bloqueadas durante a execução dos serviços.
Um canteiro de obras sobre rodas
O equipamento é instalado sobre uma carreta e reúne uma série de ferramentas que normalmente seriam transportadas separadamente.
A estrutura conta com retroescavadeira, caçamba articulada com compartimentos independentes e conexões pneumáticas para equipamentos como compactador, cortador de asfalto e soprador. Também possui prancha destinada à movimentação de materiais.
Na prática, a proposta é permitir que uma mesma equipe realize diferentes etapas de uma intervenção utilizando um único conjunto operacional.
“Hoje, uma intervenção pode exigir a mobilização de diferentes equipamentos para executar etapas como escavação, corte de asfalto, compactação e movimentação de materiais. Com essa solução, reunimos essas funções em uma única estrutura”, explica o diretor de Operações da Corsan, José João da Fonseca.
Segundo ele, a concentração dos equipamentos pode aumentar a produtividade, reduzir a complexidade logística e acelerar a liberação das vias após a conclusão dos trabalhos.
Tecnologia em fase de testes
A Corsan pretende avaliar o desempenho do equipamento durante a fase de testes antes de ampliar sua utilização. Caso a solução seja validada operacionalmente, a previsão é produzir entre 100 e 150 unidades para uso pela companhia.
A tecnologia também poderá ultrapassar as fronteiras do Rio Grande do Sul. Como a Corsan integra o grupo Aegea, existe a possibilidade de que o equipamento seja utilizado posteriormente em operações de saneamento de outras empresas do grupo em diferentes estados brasileiros.
A iniciativa está relacionada ao esforço da companhia para ampliar a produtividade e acelerar os investimentos em saneamento no Estado. Desde o início da operação privada, em 2023, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto passou de 19% para aproximadamente 30%, segundo a Corsan. A meta estabelecida é alcançar 90% até 2033.
Parceria aproxima indústria e saneamento
O desenvolvimento do equipamento faz parte de uma estratégia de aproximação entre a Corsan e empresas da indústria gaúcha. A ideia é transformar necessidades identificadas no cotidiano das operações em soluções tecnológicas que possam ser aplicadas diretamente nas obras.
Outro exemplo são as Estações Móveis de Tratamento de Esgoto, desenvolvidas pela companhia em parceria com quatro empresas do Estado. De acordo com a Corsan, o modelo modular pode reduzir para cerca de quatro meses um processo que, em uma estação convencional, pode levar até três anos entre o desenvolvimento do projeto e o início da operação.
Também integra a estratégia o Parque de Infraestrutura e Inovação, em Esteio, que reúne estruturas como fábrica de tubos, usina de asfalto, laboratório de solos e usina de sulfato de alumínio.
Para o presidente da Masal, Cláudio Bier, a parceria demonstra como a integração entre indústria e infraestrutura pode gerar soluções a partir de problemas concretos da operação.
“Quando a indústria e o setor de infraestrutura trabalham juntos, conseguimos transformar necessidades reais da operação em soluções concretas”, afirma.
Solução gaúcha pode chegar a outros estados
A presidente da Corsan, Samanta Takimi, destaca que a inovação é parte do esforço para ampliar a velocidade dos investimentos em saneamento e reduzir os impactos das obras.
“Universalizar o saneamento exige escala, velocidade e capacidade de inovar. O Rio Grande do Sul reúne conhecimento técnico e uma indústria capaz de desenvolver conosco soluções que tornam as obras mais rápidas, eficientes e com menor impacto ambiental”, afirma.
Além dos possíveis ganhos operacionais, a expectativa é que a tecnologia desenvolvida no Estado possa ser utilizada em outras regiões brasileiras, ampliando a aplicação de soluções criadas pela indústria gaúcha no setor de saneamento.





