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Carnaval 2026, política e eleições

Este carnaval, no início de um ano eleitoral, traz para a passarela política embates polarizados que servem para balizar o que é legal, político e eleitoreiro — com evidência às fantasias das fake news.

Temos, na ordem do dia na mídia e nas redes sociais, a tentativa de vincular o ministro Alexandre de Moraes como intermediário para favorecer sua esposa, advogada, e o banco falido Master. Sem provas, mas com convicções, setores da direita e até esquerdistas apostam que Moraes teria se reunido com o presidente Vorcaro para interceder pela referida instituição financeira.

Vamos considerar que temos aliados “masters”, os bolsonaristas; mas, digamos, o ministro Toffoli, que teve evidentes vantagens, não é o STF. (A parte não responde pelo todo, coisa que o fascismo indutivista adora fazer.)

E, num arranjo que preserva a ética do STF — não do ministro envolvido, cujo nome é mencionado no celular de Daniel Vorcaro — afasta-se do caso, o que não precisaria fazer se tivesse segurança de não estar comprometido no julgamento.

Vamos ver algumas relevâncias: o Banco Central não salvou o Master. Alexandre de Moraes deixa claro que, obviamente, nenhum ministro que tenha vínculos com investigados deixaria de se abster de julgar.

Quanto à esposa de “Xandão”: por ser mulher de ministro, estaria fora do princípio do direito segundo o qual até o pior bandido merece defesa? Se não existem provas que impliquem Moraes em vantagens e ilegalidades, sem ética, seguimos no “modelo Dallagnol”, em que “bastam convicções”?

Relevante ainda é o fato de que o Banco Central (Bacen) não deixou de liquidar o Master, com ou sem a imaginária suposição da direita de uma interferência de “Xandão”. (No entanto, acho que ele deveria ter apoiado a elaboração de um código de ética aos magistrados do STF, para não parecer estar do lado de Toffoli e de Gilmar Mendes, que têm antecedentes duvidosos, do ponto de vista ético.)

Vamos ao carnaval, na lógica sequencial: a escola Acadêmicos de Niterói, que vai homenagear o presidente Lula, terá a mesma verba da Embratur para desfilar que as demais. O TCU aprovou e negou a suspensão. E quem teria autoridade para inibir uma manifestação de liberdade artística e de expressão? Além de estarmos no primeiro semestre, o samba-enredo e o tema não estão pedindo votos para Lula, o que não se configura como pré-campanha.

Se uma escola fosse homenagear Bolsonaro, pedindo sua dosimetria, isso também não deveria ser negado — ainda que o “reinado de Momo” não seja de bobo, e tampouco deixe de ser uma festa afrodescendente, muito animada pela comunidade LGBT+, considerando que essa diversidade sempre foi desqualificada e desprezada pelo ex-presidente, hoje prisioneiro.

Isso tudo tem um nexo perigoso em um ano eleitoral, quando não conseguem diretamente prejudicar a imagem de Lula — seja por contar com a força do STF, seja por ser glorificado na avenida, rumo ao tetra.

Aproveito para divulgar o Carnaval da Diversidade Gaúcha, que tem cronograma no estado, com a volta de bloquinhos e trios: a folia colorida em Porto Alegre, no ano de 2026, integra a programação oficial do Carnaval de Rua, com destaque para blocos LGBTQIA+ e ações de conscientização promovidas pelo Governo do Estado, concentrando-se entre os dias 14 e 17 de fevereiro.

Em tempo: como carnaval não é alienante, por tudo que aqui foi tratado, adianto, como coordenador do SOS-RS Diversidade, coletivo inédito de coletivos, que estaremos recebendo nossa Secretária Nacional LGBT+ em conferência para debater e deliberar ações que mitiguem o que ainda sofremos com a catástrofe político-ambiental.

Será na sede da OAB-RS, dia 5 de março, a partir das 14h (na próxima, maiores informações). Que nossas fantasias nos tragam prazer — no carnaval e em todos os eventos — sem perdermos o princípio de realidade, tão importante a nós, psicanalistas, na clínica e na sociedade.

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Gaio Fontella
Gaio Fontellahttps://realnews.com.br/category/opiniao/blog-do-gaio/
Gaio Fontella – Psicólogo e psicanalista, graduado e pós-graduado pela UFRGS. É comentarista e produtor do canal Café com Análise, no YouTube, e atua como coordenador da ONG Desafios, em Porto Alegre.
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