A máscara caiu: a operação contra Maduro e o perigo de um efeito dominó regional

Na segunda parte de seus ensinamentos sobre a história recente da Venezuela, o professor Gunter Axt analisa a década de governo de Hugo Chávez, marcada, segundo ele, por práticas de corrupção e pela progressiva deterioração das instituições democráticas. O historiador destaca que, apesar das evidências de autoritarismo e dos problemas econômicos acumulados ao longo dos anos, parte significativa da população venezuelana manteve a confiança no projeto chavista, o que acabou facilitando a ascensão de Nicolás Maduro, apontado por críticos como herdeiro político de um sistema igualmente corrupto.

A permanência desse modelo de poder contribuiu para o aprofundamento da crise política, social e econômica no país. Nesse contexto, o debate internacional ganhou força, inclusive no Brasil, onde setores da opinião pública passaram a criticar ações mais duras adotadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump em relação à Venezuela. Para esses críticos, embora controversas, tais medidas seriam preferíveis a um conflito armado em um país já fragilizado e politicamente paralisado.

As manifestações populares registradas em determinados momentos do dia, descritas por apoiadores da oposição como celebrações simbólicas de liberdade e esperança. Essas mobilizações refletem o cansaço de parte da população com décadas de instabilidade, autoritarismo e promessas não cumpridas, evidenciando a profundidade da crise venezuelana e o desejo de mudança de amplos setores da sociedade.

De acordo com o professor, qualquer tentativa de reorganização institucional exigiria a formação de um governo de transição capaz de incluir uma anistia ampla aos setores ligados ao chavismo. Sem essa acomodação política, alerta Axt, o risco de uma convulsão interna aumentaria significativamente, o que representaria um desastre não apenas para a estabilidade regional, mas também para parte dos próprios objetivos estratégicos dos Estados Unidos.

Axt observa ainda que sinais recentes indicam um rearranjo nas relações de poder internas e externas. Ele menciona que o governo Trump já teria pressionado politicamente a líder oposicionista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, ao mesmo tempo em que aparenta reconhecer a vice-presidente Delcy Rodríguez como uma autoridade central no comando do governo. Para o historiador, esse movimento sugere uma leitura pragmática da realidade venezuelana por parte de Washington.

Por fim, Gunter Axt avalia que a operação de captura de Nicolás Maduro dificilmente teria sido viável sem algum grau de apoio interno. Na sua análise, o episódio indica que houve uma ruptura dentro do próprio círculo de poder do regime, evidenciando que Maduro teria sido traído por atores próximos, o que expõe fissuras profundas no sistema chavista após mais de duas décadas no poder.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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