A classificação do Grêmio para a final do Gauchão foi daquelas que testam o coração do torcedor. Depois do 1×1 em Porto Alegre, novo empate em 1×1 em Caxias do Sul, diante do Juventude, em um confronto marcado por tensão, pouca produção ofensiva gremista na primeira etapa e um cenário que parecia se desenhar favorável ao adversário.
O Grêmio saiu atrás após o pênalti cometido por Viery — bola cruzada na área, desvio no braço e penalidade assinalada. Gabriel Taliari converteu e colocou o Juventude em vantagem. Até ali, o time da casa era superior: controlava as ações, ocupava melhor os espaços e parecia mais organizado. O Grêmio, por sua vez, repetia problemas já vistos — pouca criatividade, dificuldade na construção e vulnerabilidade defensiva. As melhores chances tricolores na primeira etapa foram isoladas: uma tentativa com Noriega em que a defesa conseguiu desviar para fora e a jogada bem trabalhada entre Pavón e João Pedro, que terminou em boa defesa de Jandrei.
Mas o intervalo foi o ponto de virada — e muito por mérito de Luís Castro.
O treinador não apenas trocou nomes; mudou a estrutura. As entradas de Enamorado e Gabriel Mec nas vagas de Dodi e João Pedro transformaram o desenho da equipe. Pavón foi deslocado para a lateral-direita, o time passou a atuar em um ousado 4-2-4, com Enamorado aberto pela direita, Amuzu pela esquerda, Carlos Vinicius como referência e Gabriel Mec flutuando por trás do centroavante. Além disso, as linhas foram adiantadas, a marcação ficou mais agressiva e o Grêmio passou a sufocar a saída adversária.
E foi nesse novo cenário que Gabriel Mec cresceu.
O garoto entrou com personalidade, intensidade e, principalmente, entendimento de espaço. Movimentou-se entre as linhas, ofereceu opção constante de passe, acelerou a circulação da bola e trouxe algo que faltava: imprevisibilidade. Não se escondeu do jogo. Chamou a responsabilidade, tentou jogadas individuais, e deu dinâmica ao setor ofensivo. Sua mobilidade confundiu a defesa do Juventude e abriu corredores para os pontas.
Mais do que números, Gabriel Mec entregou impacto. Mudou o ritmo da partida. Deu coragem ao time. Foi o elo entre meio e ataque em um momento em que o Grêmio precisava de lucidez e ousadia. Sua atuação simboliza algo maior: a força da base gremista aparecendo em um jogo importante, fora de casa e uma esperança de achar em Gabriel Mec o meia que o time tanto precisa, é fato que Mec precisará comprovar essa boa atuação em um jogo de maior exigência, mas a amostragem alegra e dá esperanças ao torcedor.
A classificação, no entanto, ainda reservava mais drama. Com o empate persistindo após o tempo regulamentar, a decisão foi para a disputa por pênaltis. E ali o Grêmio mostrou frieza e precisão: venceu por 4×1, convertendo todas as suas cobranças. Do lado do Juventude, Rodrigo Sam parou no goleiro Weverton, enquanto Juan Christian acertou o travessão, selando o destino da semifinal.
A vaga veio na marca da cal, mas também na convicção. Se o primeiro tempo foi de apreensão, o segundo foi de imposição — e os pênaltis, de personalidade.
E no centro dessa transformação estava Gabriel Mec — o nome que incendiou o jogo e ajudou a levar o Grêmio a mais uma final de campeonato gaúcho.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio



