A Copa, as figurinhas e o que ninguém está vendo

Todo mundo está falando da Copa do Mundo, dos jogos, da seleção brasileira e, principalmente, do álbum de figurinhas. É difícil encontrar uma criança que não esteja doida para completar a coleção, trocar as repetidas com os amigos e encher cada página do álbum. Mas tem muita coisa acontecendo por trás dessa animação toda que as pessoas ainda não pararam para perceber: essa Copa parece ser, antes de tudo, uma forma de esconder os problemas que o Brasil enfrenta e desviar a atenção das eleições que são tão importantes para o país.

O preço já é um assunto que dá o que falar. O pacotinho de figurinhas está custando R$ 7,00, e o álbum, que é basicamente um livro de papel para colar as imagens, chega a quase R$ 30,00. Muita gente pode achar pouco, mas para muitas famílias que já passam dificuldades, esse valor faz toda a diferença. Mesmo assim, os pais fazem de tudo para agradar os filhos: cortam gastos com coisas necessárias, apertam o orçamento e correm atrás para comprar o álbum e os pacotes, só para ver a criança feliz. E o pior é que os veículos de comunicação ainda ajudam a aumentar essa correria, mostrando reportagens, dicas de troca e tudo mais, como se fosse a coisa mais importante do mundo, incentivando todo mundo a participar dessa febre.

Os comerciantes também estão no meio dessa história. Em todo lugar tem loja, banca de jornal e até mercadinhos fazendo o famoso “porta-figurinha”, onde as pessoas se reúnem para trocar e comprar. Mas é bom lembrar: eles não têm tanta culpa assim. A indústria empurra todo tipo de produto relacionado à Copa, à seleção, à FIFA, e quase obriga os donos de estabelecimentos a vender, senão ficam para trás. Quem realmente merece ser questionado são as grandes marcas e os meios de comunicação: eles é que fazem de tudo para dar visibilidade ao evento, lucrar muito e fazer todo mundo esquecer o resto.

E não para por aí. Durante a competição, serão 104 jogos ao todo, e as casas de apostas já estão de olho em cada um deles. Elas vão lucrar uma fortuna com quem resolve arriscar um dinheirinho, achando que vai ganhar fácil. O problema é que, quando a Copa acabar, a realidade volta com força total: os pais que gastaram tudo com álbum e figurinhas vão perceber que estão ainda mais pobres do que já eram. E os adultos que foram incentivados a apostar em cada partida? Muitos vão acabar com dívidas, e o pior: muitos ficarão ainda mais viciados em jogos de azar, um problema que já afeta tanta gente.

No fim das contas, a Copa até traz alegria e união, mas não podemos deixar de ver o que está por trás. Enquanto todo mundo fica focado nas figurinhas, nos jogos e nas apostas, os problemas do país continuam lá, e as eleições, que definem o futuro de todos, acabam ficando em segundo plano. É bom curtir o esporte, mas é preciso abrir o olho para não ser só mais um a pagar o preço de toda essa movimentação.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://realnews.com.br
Entre a ficção e a realidade, meu compromisso é traduzir o tempo em palavras com sensibilidade, crítica e verdade.

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