Uma sucessão de movimentos no MDB deve gerar nova reviravolta no cenário eleitoral gaúcho nas próximas semanas. O partido tem pouco tempo para resolver o impasse sobre se mantém candidatura própria ao governo ou se cede aos argumentos da executiva nacional e aceita fazer uma composição com o PSDB, abrindo mão da cabeça de chapa.
A resistência local ao arranjo com o PSDB, almejado pela direção nacional da legenda, é considerada intransponível, por uma série de fatores. Porém, para viabilizar a candidatura própria, o MDB precisa conseguir liderar uma outra aliança competitiva, que lhe dê mais do que seus pouco menos de 40 segundos de tempo na propaganda na TV, e a garantia de que receberá uma quantia razoável de recursos da direção nacional. O pré-candidato do MDB ao governo, o deputado estadual Gabriel Souza, vem mantendo a candidatura.
Mas já há dúvidas em grupos do partido sobre se ele vai se aventurar em uma campanha sem tempo e sem dinheiro caso a legenda não consiga um parceiro de peso, como o PSD.
No caso de manutenção da candidatura própria com chapa pura ou alianças com siglas que não agregam recursos e tempo, definida internamente como ‘suicida’ ou ‘de sacrifício’, dois nomes se apresentaram até agora: o vereador Cezar Schirmer e o ex-vice-governador Paulo Cairoli. Ambos são próximos do ex-governador José Sartori. Os dois também não teriam ‘nada a perder’, nas palavras de um dos emedebistas que participa das articulações para que a sigla tenha candidato ao governo. É o contrário da situação de Gabriel, uma liderança jovem, e que ascendeu rapidamente.
Integrantes da chamada velha guarda do MDB asseguram que o deputado já se deu conta de que sua condição é delicada tanto se mantiver a candidatura própria sem fechar uma aliança robusta como se obtiver um acordo para ser vice do pré-candidato ao governo do PSDB, o ex-governador Eduardo Leite, possibilidade cada dia mais distante.
Nos dois casos, será responsabilizado por ‘diminuir’ e ‘dividir’ o MDB, cumprindo o destino traçado por opositores internos, que projetavam um final doloroso desde o processo de definição da pré-candidatura que acentuou o racha interno. A saída para Gabriel, aponta um integrante da executiva estadual, seria ou conseguir a aliança com o PSD e alguma outra legenda, ou retornar para a disputa no Legislativo gaúcho, onde a tendência é de que obtenha votação expressiva.
O acordo com o PSD esteve a um passo de ser fechado na semana passada, após uma nova rodada de conversas com a pré-candidata do partido ao Senado, a ex-secretária Ana Amélia Lemos. Mas, nos últimos dias, ante o impasse no MDB e o assédio do PSB, que corteja ostensivamente Ana Amélia, as negociações esfriaram.
A direção estadual emedebista marcou reunião do diretório para 10 de julho para decidir que rumo o partido vai tomar após a executiva nacional, na terça, ter tirado indicativo, ‘sem imposição’, pela aliança com o PSDB no RS, com apoio à pré-candidatura de Leite. Na executiva gaúcha, a tese da candidatura própria tem maioria. Dos oito integrantes, seis são contabilizados como defensores de que o MDB tenha candidato ao Piratini. O sentimento se multiplica pelos órgãos partidários internos, como a Juventude, de onde Gabriel é oriundo.
Por fim, parte dos emedebistas gaúchos também questiona internamente qual o efeito real dos movimentos da pré-candidata do partido à presidência, a senadora Simone Tebet (MDB/MS), e teme que sua candidatura não se viabilize. Até o momento, ela ostenta baixos índices de intenções de votos, muito distantes de romper com a polarização protagonizada pelo ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
A pergunta que fazem esses emedebistas no Estado, é se vale a pena a sigla no RS abrir mão de ter candidato e fortalecer o PSDB para auxiliar uma chapa nacional sobre a qual pairam dúvidas e resistências do próprio partido em diferentes estados. Neles, o MDB, regionalmente, está aliado ao PT ou a pré-candidatos vinculados a Bolsonaro, o que, historicamente, abre a porta para traições e dissidências em relação às campanhas nacionais.







