Canoas chegou, em agosto, à marca de mais de um ano sem registro de feminicídio. O último crime desse tipo ocorreu em 2 de julho de 2025, no bairro Mato Grande. Na ocasião, uma mulher de 29 anos foi morta pelo companheiro, de 34 anos, que acabou preso pela Brigada Militar.
Diante desse cenário, o município mantém uma série de ações voltadas à prevenção da violência contra a mulher e ao fortalecimento da rede de atendimento. As iniciativas são coordenadas pela Secretaria Municipal da Mulher, Cidadania e Inclusão e envolvem educação, acolhimento, orientação, canais de denúncia e integração com os órgãos de segurança.
Entre as principais medidas está o projeto Educar para Proteger, desenvolvido nas escolas e também direcionado a servidoras. A proposta é levar informações sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, orientar sobre os mecanismos de denúncia e apresentar os serviços disponíveis para quem precisa de ajuda.
Uma das ferramentas criadas dentro do projeto é a Caixa Lilás, instalada nas 44 Escolas Municipais de Ensino Fundamental de Canoas. O mecanismo permite que estudantes e integrantes da comunidade escolar façam relatos anônimos sobre situações de violência.
Segundo a Secretaria Municipal da Mulher, Cidadania e Inclusão, a combinação entre as atividades educativas e a disponibilização das caixas resultou em um aumento de 30% no número de denúncias nos últimos quatro meses. A maior parte dos relatos recebidos está relacionada a episódios de violência física e psicológica.
A secretária Gislaini Zottis afirma que a manutenção das ações de prevenção é fundamental para evitar que situações de violência evoluam para crimes mais graves.
“Um ano sem feminicídios em Canoas reforça a importância de mantermos um trabalho permanente de prevenção e proteção às mulheres.”
Segundo ela, o projeto desenvolvido nas escolas busca fazer com que crianças e adolescentes reconheçam situações de violência e não as tratem como algo natural. A secretária também destaca a utilização das Caixas Lilás como um espaço para relatos de situações vivenciadas ou presenciadas pelos estudantes e pela comunidade escolar.
A política municipal também inclui reuniões mensais de fortalecimento da rede de proteção e iniciativas de conscientização, como o Dia 25 Laranja. Outro serviço citado pela secretaria é o Centro de Referência para Mulheres (CRM), mantido pela Prefeitura, que oferece acolhimento e acompanhamento multidisciplinar a mulheres em situação de vulnerabilidade social vítimas de violência.
O atendimento busca contribuir para o rompimento do ciclo de violência e para o fortalecimento da autonomia das vítimas. Dentro dessa estratégia está ainda o Programa Por Mim, que reúne empresas parceiras do município para oferecer oportunidades de trabalho a mulheres com medida protetiva encaminhadas pelo CRM. A proposta é ampliar a autonomia financeira e as possibilidades de reconstrução da vida após situações de violência.
“São iniciativas que levam informação à população, ampliam o acesso aos serviços e fortalecem a prevenção. A redução dos índices é um resultado que nos incentiva a continuar avançando, porque cada mulher protegida e cada violência interrompida representam uma vida preservada”, afirma Gislaini.
Dia 25 Laranja leva informações a locais de grande circulação
O Dia 25 Laranja é realizado mensalmente pela Secretaria Municipal da Mulher, Cidadania e Inclusão como parte das ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
As atividades ocorrem no dia 25 ou em datas próximas e incluem distribuição de materiais informativos e orientação à população. As equipes atuam em pontos de grande movimentação, entre eles o Calçadão, as estações da Trensurb e unidades de saúde.
A iniciativa busca ampliar o acesso da população a informações sobre prevenção, formas de denúncia e serviços que integram a rede de proteção do município.
CRM atendeu 385 mulheres entre janeiro e julho
Entre os equipamentos públicos voltados ao atendimento de vítimas está o Centro de Referência para Mulheres (CRM) Patrícia Esber. O serviço oferece atendimento psicossocial e orientação jurídica para mulheres e meninas a partir dos 14 anos que tenham sido vítimas de violência doméstica e/ou de gênero.
De janeiro a julho deste ano, 385 mulheres, com idades entre 14 e 60 anos, foram atendidas pelo serviço. Na maioria dos casos, os autores das agressões eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
O CRM atua no enfrentamento das situações de violência, buscando fortalecer as mulheres atendidas, contribuir para a recuperação da autonomia e auxiliar no processo de retomada da cidadania.
O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, sem intervalo ao meio-dia. Aos sábados, o serviço funciona das 8h ao meio-dia.
A estrutura de proteção também inclui o Centro Regional de Abrigamento para Mulheres (CRAM), destinado ao acolhimento sigiloso e seguro de mulheres que estejam sob risco extremo de violência doméstica.
Onde buscar ajuda em Canoas
Disque Mulher Canoas
Telefone: (51) 99275-8146
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM)
Rua Doutor Sezefredo de Azambuja Vieira, nº 2730, 1º andar, Canoas/RS
Atendimento: das 8h30 às 20h
Telefone: (51) 3425-9035
Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA)
Rua Doutor Sezefredo de Azambuja Vieira, nº 2730
Atendimento: 24 horas, todos os dias
Telefone: (51) 3452-9000
Patrulha Maria da Penha
Telefone: (51) 98329-0941
Brigada Militar
Telefone: 190
Guarda Municipal
Telefone: 153
Disque 180
Central de Atendimento à Mulher, serviço nacional de orientação e recebimento de denúncias.
Diretoria da Mulher
Telefone: (51) 98255-0752
Atendimento: segunda a quinta-feira, das 12h30 às 18h30; sexta-feira, das 8h às 14h.
Centro de Referência da Mulher (CRM)
Rua Siqueira Campos, 321, Centro
Telefone: (51) 99815-3503
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, sem fechar ao meio-dia; sábados, das 8h ao meio-dia.





