A zaga do Grêmio precisa ser prioridade da direção

Antes dos confrontos decisivos pela Copa Sul-Americana e pela Copa do Brasil, publiquei minha projeção sobre o que imaginava para o Grêmio. Na competição continental, acertei o desfecho, mas não da maneira que esperava.

Na altitude, o Grêmio perdeu por 3 a 2 para o Bolívar, mas a partida deixou uma impressão clara: tecnicamente, o adversário era inferior. Depois de um bom desempenho diante do Fluminense, a expectativa era de que o Tricolor revertesse a desvantagem na Arena. Porém, o time voltou a decepcionar, perdeu por 1 a 0 e deu adeus à Sul-Americana.

Na Copa do Brasil, também projetei o Mirassol como favorito. No entanto, o empate em 1 a 1 no jogo de ida manteve o Grêmio vivo. Espero estar errado nessa previsão e que a equipe consiga a classificação nesta quarta-feira. Mas, caso venha uma nova eliminação dentro da Arena, será inevitável a pergunta: a direção conseguirá manter Luís Castro no cargo diante de um novo fracasso com enorme pressão da torcida?

Independentemente do resultado, existe um problema que precisa ser debatido: a situação da zaga gremista.

Hoje, o Grêmio conta com seis zagueiros no elenco principal, mas, na minha avaliação, o número engana. Há quantidade, mas faltam opções que realmente transmitam confiança.

Gustavo Martins segue sendo o principal nome da posição. Mesmo sem repetir o bom momento que viveu antes da venda de Viery para a Fiorentina, continua sendo o zagueiro que mais passa segurança. Seu novo parceiro pode ser Wallace, contratado junto ao CRB. Na estreia contra o Mirassol, fez uma partida simples, sem exageros, mas segura. Em um setor tão carente de confiança, isso já o credencia a disputar a titularidade.

Já Wagner Leonardo não conseguiu convencer. Na minha visão, comete erros individuais, toma decisões equivocadas e demonstra limitações técnicas para o nível de exigência do Grêmio. Não vejo problema caso o clube aceite uma negociação, principalmente diante do interesse do Corinthians.

Kannemann merece todo o respeito pela história construída no clube. São dez anos defendendo o Grêmio, sendo líder e referência dentro do vestiário. Mas o futebol exige analisar o momento atual. As lesões frequentes, a perda de velocidade e a dificuldade para atuar em uma linha defensiva mais alta fazem com que o argentino já não consiga entregar o mesmo rendimento de outros tempos.

Balbuena também sofre com problemas físicos e demonstra dificuldade quando a equipe precisa defender longe da própria área.

Já Luis Eduardo, de apenas 18 anos, ainda está em fase de amadurecimento. É um jogador promissor, mas que naturalmente oscila e ainda precisa ganhar experiência antes de assumir maiores responsabilidades.

Por isso, acredito que a direção precisa olhar para o mercado. Sei das limitações financeiras do clube, mas reforçar a defesa deveria ser uma prioridade nesta reta final da temporada.

Existe ainda outro fator importante: Gustavo Martins, hoje o titular absoluto da posição, frequentemente enfrenta problemas físicos que interrompem sua sequência. Caso isso aconteça novamente, o Grêmio ficará ainda mais fragilizado em um setor que já inspira pouca confiança.

Wallace mostrou bons sinais na estreia, mas ainda precisa confirmar que pode assumir a titularidade ao longo dos próximos jogos. Enquanto isso, a realidade é clara: o Grêmio precisa de mais qualidade no sistema defensivo. Reforçar a zaga deixou de ser uma opção. Passou a ser uma necessidade.

Foto: Reprodução

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Gustavo Guedes
Gustavo Guedeshttps://realnews.com.br/
Jornalista/cronista esportivo

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