Empresas ampliam busca por profissionais mais adaptáveis

O currículo continua importante, mas já não é suficiente para garantir espaço no mercado de trabalho. Em um cenário marcado pela digitalização dos negócios e pelo avanço da inteligência artificial (IA), empresas ampliam o olhar para competências que vão além da formação técnica. Comunicação, capacidade de adaptação, pensamento crítico e domínio de novas tecnologias passaram a caminhar lado a lado nas decisões de contratação.

Esse movimento aparece na Pesquisa de Expectativa de Emprego do ManpowerGroup para o terceiro trimestre de 2026. Entre os empregadores brasileiros, 79% afirmam estar mais dispostos a pagar um valor adicional para profissionais com boa comunicação. Na sequência aparecem forte ética de trabalho (76%), resolução de problemas (75%), adaptabilidade (72%) e liderança (71%). Já entre as habilidades técnicas, desenvolvimento de modelos e aplicações de inteligência artificial lidera o ranking, citado por 74% das empresas, seguido por atendimento ao cliente (73%), vendas e marketing (72%) e letramento em IA (71%).

A valorização dessas competências acompanha uma transformação mais ampla do mercado de trabalho. Segundo o relatório Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), cerca de 40% das habilidades consideradas essenciais hoje deverão mudar até 2030. O estudo aponta que a inteligência artificial, a automação e a transição digital estão entre os principais fatores que impulsionam essa mudança, exigindo atualização constante tanto de profissionais quanto de empresas.

Para Nilson Pereira, CEO do ManpowerGroup Brasil, a principal mudança não está apenas nas tecnologias que surgem, mas na forma como elas alteram o perfil esperado dos profissionais: "a tecnologia evolui rapidamente, mas continua sendo aplicada por pessoas. Por isso, competências como comunicação, colaboração e capacidade de resolver problemas se tornam ainda mais importantes em um ambiente de mudanças constantes".

O levantamento do ManpowerGroup mostra esse equilíbrio entre habilidades humanas e técnicas. Se, de um lado, empresas procuram profissionais capazes de utilizar inteligência artificial para aumentar produtividade e eficiência, de outro elas seguem priorizando características que dificilmente podem ser automatizadas, como relacionamento interpessoal, ética, liderança e adaptação a novos contextos.

Essa combinação vem ganhando força porque a IA deixa de ser uma competência restrita às áreas de tecnologia. Ferramentas baseadas em inteligência artificial já fazem parte da rotina de profissionais de recursos humanos, marketing, atendimento ao cliente, logística, administração e diversas outras funções. Com isso, saber utilizar essas soluções passa a ser esperado em um número crescente de ocupações.

Na avaliação de Nilson Pereira, isso não significa que profissionais precisarão recomeçar suas carreiras, mas sim desenvolver novas competências ao longo da trajetória. "A aprendizagem contínua deixa de ser um diferencial e passa a fazer parte da vida profissional. Quem consegue combinar conhecimento técnico com habilidades humanas tende a responder melhor às mudanças do mercado", comenta o CEO.

Diante desse cenário, as empresas também ampliam os investimentos no desenvolvimento dos próprios colaboradores. Em vez de buscar apenas profissionais já preparados para as novas demandas, muitas organizações apostam na atualização de competências da sua força de trabalho. Segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, também do ManpowerGroup, 44% dos empregadores brasileiros investem em programas de upskilling e reskilling para preparar seus talentos para as mudanças do mercado.

Para os profissionais, a transformação representa uma oportunidade de ampliar sua atuação em diferentes áreas, caso estejam dispostos a atualizar conhecimentos continuamente. Para as organizações, o desafio passa por criar ambientes que favoreçam esse desenvolvimento e permitam acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas.

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