O empate em 1 a 1 entre Grêmio e Fluminense, na noite do último domingo, na Arena, não traduz o que foi a partida. Longe de ser uma atuação brilhante — pelo contrário, marcada por altos e baixos —, o Tricolor apresentou um desempenho dentro do aceitável. Considerando o péssimo momento vivido desde o retorno da pausa para a Copa do Mundo, foi, sem dúvida, a melhor exibição da equipe neste período. Um empate com gosto de que a vitória esteve muito próxima.
Na entrevista coletiva, o técnico Luís Castro afirmou que essa foi uma das melhores apresentações do Grêmio na temporada. Discordo. Não considero uma das melhores, mas sim uma atuação que estabelece o padrão mínimo que a equipe precisa manter, especialmente para o confronto decisivo diante do Bolívar, na próxima quinta-feira.
Três volantes e o retorno de Marlon fortalecem o time
Taticamente, a escolha por atuar com três volantes deu resultado. Ficou evidente que Léo Pérez não tem motivos para reassumir a titularidade neste momento. Noriega, como primeiro volante, fez uma partida segura e mostrou bom entrosamento com Nardoni e Villasanti.
O retorno de Villasanti elevou o nível técnico do setor. Entre os três, é o único capaz de quebrar linhas, escapar da marcação e se aproximar dos jogadores ofensivos. Pensando na sequência da temporada, a presença de mais um articulador deixaria o meio-campo ainda mais equilibrado, fortalecendo tanto a construção das jogadas quanto a organização defensiva.
Outra excelente notícia foi a volta do lateral-esquerdo Marlon. Sua presença foi um dos principais fatores para a melhora da equipe. Além de dar profundidade pelo corredor esquerdo, ele oferece uma alternativa de construção por dentro, característica que falta pelo lado direito, onde Pavón atua quase exclusivamente aberto pela ponta.
O placar não conta toda a história
Quem olha apenas para o resultado pode questionar como um empate pode ser considerado positivo. A resposta está na análise do desempenho, não apenas no placar.
O Grêmio criou volume ofensivo e teve oportunidades claras para vencer, mas voltou a pecar nas finalizações. Já o Fluminense produziu muito pouco. O gol carioca surgiu após um pênalti cometido por Kannemann, que levantou o braço dentro da área em um lance evitável.
É difícil admitir isso quando se trata de um dos maiores ídolos recentes do clube, mas a razão precisa prevalecer sobre a emoção: Kannemann está distante do auge técnico e físico. A defesa segue sendo um problema que a diretoria precisa resolver com urgência.
Além do pênalti, a única chegada realmente perigosa do Fluminense foi um gol anulado por impedimento ainda no primeiro tempo. No restante da partida, Gabriel Grando praticamente não trabalhou. Do outro lado, Fábio foi o grande destaque do jogo, salvando o Fluminense com uma defesa espetacular em finalização de Tetê e outras duas intervenções importantes antes da abertura do placar.
Reforços animam para a sequência decisiva
Na coluna anterior, projetei um cenário preocupante para o Grêmio e para Luís Castro. Hoje, esse panorama mudou.
A derrota por 3 a 2 para o Bolívar, na altitude, deixou o confronto completamente aberto. Pela fragilidade apresentada pelo adversário, o Grêmio tem plenas condições de garantir a classificação na Arena, desde que repita a postura tática mostrada diante do Fluminense.
Nesse contexto, a janela de transferências pode ser determinante. As primeiras impressões foram positivas. Diego Caito, lateral-direito contratado junto ao Goiás, marcou o gol de empate após assistência do cabo-verdiano Jovane Cabral.
A chegada de Diego Caito encerra, ao menos por enquanto, o ciclo de improvisações na lateral direita. Já Jovane mostrou que pode contribuir também fora da ponta, oferecendo mobilidade e inteligência para atuar por dentro e colaborar na criação das jogadas.
Na quinta-feira, o Grêmio entra em campo como favorito para decidir sua vaga na Copa Sul-Americana diante do Bolívar. No domingo seguinte, encara o Mirassol, fora de casa, pelo jogo de ida da Copa do Brasil.
Esse será o teste mais exigente do trabalho de Luís Castro até aqui. Com respaldo da diretoria, o treinador precisa transformar a evolução vista contra o Fluminense em uma sequência consistente para fazer o Grêmio ressurgir de vez das cinzas e convencer boa parte da torcida de que merece permanecer no comando da equipe até o fim da temporada. Agora, resta aguardar os próximos capítulos do Imortal.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio





