Vivemos em uma sociedade cada vez mais marcada pela violência. Embora muitos tratem esse problema como algo recente, a verdade é que ele atravessa gerações. Em muitos lares, a agressão é vista como forma de educar. O avô bateu no pai, o pai bate nos filhos, sejam meninos ou meninas, e esse ciclo parece nunca ter fim.
As marcas deixadas na infância não desaparecem com o tempo. Crianças que sofrem agressões carregam traumas profundos por toda a vida. Em casos mais graves, sequer têm a oportunidade de crescer, pois o que alguns insistem em chamar de “correção” acaba se transformando em espancamento e, infelizmente, pode levar à morte.
Outro ponto que merece reflexão é o papel dos adultos que convivem com essas crianças. Professores, profissionais da saúde e outras pessoas que identificam sinais de violência têm o dever legal e moral de denunciar. O silêncio protege o agressor e deixa a vítima desamparada. Ignorar esses casos contribui para que o ciclo de violência continue.
As crianças que conseguem sobreviver a esse ambiente muitas vezes crescem sem conhecer outra forma de resolver conflitos. Algumas repetem os comportamentos que aprenderam dentro de casa, tornando-se adultos violentos e reproduzindo as agressões contra seus próprios filhos, companheiras ou companheiros.
Por isso, é preciso fazer um apelo: se você acredita que bater educa, repense essa atitude antes que seja tarde demais. A violência doméstica não deixa apenas traumas; ela pode alimentar uma cultura que, no futuro, resulta em agressões cada vez mais graves, inclusive casos de feminicídio. Combater essa realidade exige olhar para a origem do problema e interromper o ciclo da violência ainda na infância.





