Confesso a dificuldade: este espaço nasceu para cobrar, para desconfiar de número redondo em nota de assessoria e para perguntar onde está a nota fiscal antes de aplaudir qualquer coisa. Então, quando o material que chega à redação é bom, de verdade, o desafio passa a ser outro. Não é inventar defeito onde não há. É ter a honestidade de dizer que, desta vez, o resultado apareceu, e apareceu grande.
Nesta terça-feira, em Brasília, a Prefeitura de Canoas trouxe para casa mais de R$ 53 milhões destinados à Saúde, já creditados pelo Fundo Nacional de Saúde, e a confirmação da liberação de recursos para o Residencial Nazário, empreendimento de 807 unidades habitacionais voltado às famílias que perderam suas casas na enchente de maio de 2024. Alguém duvida que isso seja relevante? Alguém, com um mínimo de decência argumentativa, vai afirmar que dinheiro carimbado para reconstrução de moradia e reforço de rede de saúde é irrelevante para uma cidade que ainda convive com as marcas daquela catástrofe? Se existe esse alguém, que apareça e explique. Porque, convenhamos, ninguém em sã consciência, nenhum canoense que viu a água tomar sua rua em maio de 2024, vai se levantar para dizer que isso não importa.
E o trabalho por trás disso não foi pequeno. O Residencial Nazário integra o conjunto de 1.500 novas moradias dentro do Minha Casa, Minha Vida, Reconstrução, e a assinatura dos atos no Ministério das Cidades, ao lado do deputado federal Paulo Pimenta, é exatamente o tipo de articulação que separa gestão que sabe transitar em Brasília de gestão que só sabe reclamar de Brasília à distância. Sentar à mesa, negociar linha a linha, sair de lá com assinatura e recurso creditado, isso tem nome, e o nome é competência administrativa. Canoas, cidade que ainda carrega no corpo as marcas de maio de 2024, precisava exatamente disso: gente disposta a brigar por recurso em vez de esperar que ele apareça sozinho.
Vou mudar de tom por um instante, não porque o elogio precise de ressalva para ser válido, mas porque o compromisso deste espaço é acompanhar até o fim, e é isso que dignifica o elogio de hoje. O contrato do Residencial Nazário foi assinado em agosto de 2025, a execução é em modelo multinível, a previsão de conclusão é de 18 meses. São 807 famílias esperando, e o melhor tributo que se pode prestar a uma conquista dessas é acompanhar de perto para que ela vire moradia entregue, dentro do prazo, com a mesma seriedade que trouxe o recurso até aqui.
Fica então o registro, sem cerimônia e sem desconfiança gratuita, porque a boa fé também é parte do jornalismo sério, e reconhecer acerto exige tanta coragem editorial quanto apontar erro. Canoas trouxe de Brasília, numa terça-feira, mais saúde e mais moradia digna para quem mais precisa. Que venham novas agendas como esta, e que este espaço tenha, cada vez mais, motivo para escrever textos como o de hoje.





