A passagem de um tornado provocou destruição significativa no município de Reserva, na região dos Campos Gerais do Paraná, na noite de domingo (28). A confirmação do fenômeno foi feita pela MetSul Meteorologia e corroborada por análises de outros centros especializados, após avaliação dos danos registrados na área atingida.
Segundo os meteorologistas, o tornado teria produzido rajadas estimadas em aproximadamente 200 km/h, intensidade capaz de causar danos estruturais graves, arrancar árvores de grande porte pela raiz e arremessar objetos por centenas de metros.
A comunidade rural de Imbu foi a mais afetada. Com cerca de 130 moradores, a localidade sofreu os maiores impactos em poucos minutos de tempestade. Casas ficaram destelhadas, algumas residências foram parcialmente destruídas, árvores tombaram sobre vias e propriedades, e veículos também foram atingidos pela força dos ventos.
Entre as ocorrências registradas, um automóvel chegou a ser deslocado pelo tornado. O levantamento preliminar das autoridades apontou que 11 imóveis sofreram danos expressivos. Ao menos 50 pessoas foram diretamente afetadas, enquanto dez moradores precisaram deixar suas casas e buscar abrigo com familiares e amigos. Uma pessoa sofreu ferimentos leves.
A análise dos estragos revelou diversos indícios característicos da passagem de um tornado. Árvores de grande porte foram arrancadas completamente do solo, araucárias tiveram suas copas destruídas, galhos foram lançados a dezenas de metros de distância e uma placa de sinalização foi encontrada a mais de 150 metros do ponto onde estava instalada.
Outro elemento que reforçou o diagnóstico foi o padrão dos destroços. Diferentemente dos vendavais convencionais ou das chamadas microexplosões atmosféricas, que costumam espalhar os materiais em uma mesma direção, os tornados distribuem os destroços em sentidos variados devido ao movimento rotacional do vento, característica observada pelos especialistas durante a inspeção da área atingida.
De acordo com a classificação preliminar, o tornado registrado em Reserva apresentou intensidade inferior ao fenômeno que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, em novembro do ano passado, classificado como F4, uma categoria associada a ventos muito mais intensos e elevado potencial destrutivo. Já o episódio deste domingo teve intensidade semelhante à do tornado que atingiu São José dos Pinhais no início deste ano.
Meteorologistas também avaliam que há possibilidade de outros tornados terem ocorrido no Paraná durante o domingo e o início da semana, já que diferentes municípios registraram danos compatíveis com esse tipo de fenômeno. As áreas afetadas ainda passam por levantamentos técnicos para confirmar a natureza dos eventos.
Enquanto isso, a Prefeitura de Reserva, em conjunto com a Defesa Civil e demais órgãos municipais, mantém uma força-tarefa para prestar assistência às famílias atingidas. Além do atendimento emergencial, equipes seguem distribuindo ajuda humanitária e coordenando uma campanha de arrecadação de donativos destinada às pessoas que perderam parte de seus bens.
El Niño pode favorecer episódios de tempo severo no Sul do Brasil
Segundo a MetSul Meteorologia, a sequência de temporais registrada no Sul do país pode representar o início de um período de maior frequência de eventos meteorológicos extremos, cenário associado à atuação do fenômeno El Niño.
Especialistas explicam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico altera a circulação atmosférica e aumenta o transporte de umidade para a região Sul, favorecendo a formação de um ambiente mais quente, úmido e instável. Essas condições contribuem para o desenvolvimento de tempestades intensas, muitas delas organizadas na forma de supercélulas.
Esse tipo de tempestade é capaz de produzir vendavais, granizo de grande porte, chuvas intensas e, em determinadas situações, tornados. Historicamente, alguns dos episódios mais severos registrados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná ocorreram durante anos de El Niño de forte intensidade, quando a atmosfera reúne condições mais favoráveis para a formação de fenômenos extremos.
Apesar desse aumento no potencial para tempestades severas, a ocorrência de tornados continua sendo um fenômeno localizado e depende da combinação de diversos fatores meteorológicos específicos.





