Ele é uma figura que certamente Bukowski diria esbanjar estilo: Vagner Oliveira é de Lajeado, RS, advogado há 13 anos, pós-graduado em Processo Civil e especialista em Direito Homoafetivo, influenciador digital e militante LGBTQIAPN+, dentre muitos lugares que ocupa com destaque, sempre.
Vamos à sua voz:
1. Vagner, tu és multimídia, uma personalidade multifacetada tanto pessoal como profissionalmente. Com quem tu te identificaste em família e profissionalmente?
Sempre me identifiquei com pessoas fortes, autênticas e que nunca tiveram medo de existir como são. Na família, aprendi muito sobre resistência e afeto. Todos da minha família sempre lutaram muito e são pessoas supercorretas. Profissionalmente, admiro quem usa a comunicação para transformar ambientes e abrir espaços para outras pessoas, bem como pessoas organizadas e verdadeiras.
2. Quem vê tua figura grandiloquente, bonita, glamourosa, não imagina que, como ser humano, gay assumidamente afeminado, sofres preconceitos até no meio LGBT+. Como tu lidas com isso para sustentar com resiliência tua autoestima?
Ser afeminado ainda incomoda muita gente, inclusive dentro da própria comunidade LGBT+. Mas hoje entendo que minha existência também é um ato político. Minha autoestima vem da autenticidade. Não tento caber em lugares que exigem que eu diminua quem eu sou, e evito estar com pessoas que tentam me mudar ou têm vergonha de mim. Ainda me machuca um pouco tudo isso, pois é muito recorrente, mas, aos poucos, me torno mais forte e não irei parar.
3. Que agressões e homofobia já sofreste?
Já sofri agressões verbais, discriminação social e situações muito humilhantes simplesmente por existir de forma visível e livre. Mas transformei muitas dessas dores em força para ocupar espaços com ainda mais coragem. E consigo usar essas experiências no meu trabalho para a defesa dos outros, pois me coloco no lugar deles. Nunca sofri agressão física, mas os olhares e comentários acontecem muito. Tenho 1,90 m, sou muito produzido, e isso acaba impactando as pessoas por onde chego.
4. Tu vens te afirmando como apresentador de eventos da diversidade no estado e fora dele. Destaque os de maior visibilidade.
Tenho participado e apresentado eventos importantes ligados à diversidade, cultura e entretenimento, como a Feira Baile, ações voltadas ao público LGBT+, além de projetos sociais e culturais em diferentes cidades do estado. Cada evento fortalece a representatividade e a conexão com o público. Apresentei diversos eventos nacionais, como o Miss Universe Trans Brasil, no qual estou há três anos, além de eventos da OAB/RS, Paradas pelo Estado, seminários, prêmios…
5. Qual a tua importância como promoter do Cabaret, casa noturna de vanguarda na noite da diversidade de POA, que apoiou, no ano passado, a Feira Baile e agora também a Parada de Luta LGBT+ de Porto Alegre, com tua mediação?
O Cabaret é um espaço de liberdade, arte e pertencimento. Comecei como cliente há 14 anos, depois como parceiro, apresentador das entrevistas e, hoje, tento levar um público diverso para lá. Me sinto seguro e à vontade. Fazer parte disso é contribuir para uma noite mais inclusiva, segura e plural. Acredito muito no entretenimento como ferramenta de acolhimento e expressão.
6. Quais os projetos novos como apresentador e entrevistador?
Estou desenvolvendo novos projetos voltados à comunicação, entrevistas e conteúdo digital, sempre conectando diversidade, comportamento, cultura e histórias reais. Quero ampliar ainda mais minha atuação na mídia e no audiovisual, fortalecer a cobertura de eventos pelo Brasil e comecei meu programa LGBT Pride by Vagner Oliveira, na RSPlay TV.
7. A tua parceria, desde a primeira edição da Feira Baile, cresceu num engajamento que ajuda em todos os sentidos. O que tu pensas dessa proposta para o multiempreendedorismo LGBT e o turismo gay friendly?
A Feira Baile representa algo muito importante: oportunidade, visibilidade e fortalecimento coletivo. O empreendedorismo LGBT precisa ser incentivado porque movimenta economia, cultura e inclusão. O turismo gay friendly também transforma cidades em espaços mais humanos e acolhedores. Começamos devagar e, a cada ano, está se tornando mais forte. Feliz em fazer parte.
8. Quais tuas considerações finais?
Acredito que representatividade salva vidas. Quanto mais pessoas puderem existir com liberdade, dignidade e voz, mais justa será nossa sociedade. Quero continuar usando minha imagem e meu trabalho para inspirar autenticidade, respeito e coragem. Desejo mais amor e empatia a todos.
Gaio: Obrigado pela parceria. Deixo um recado para quem se assusta contigo: não percam a oportunidade de conhecer a autenticidade e o profissionalismo resolutivo e atencioso de Vagner, pois isso é raro no trabalho voluntário e militante que juntos estamos realizando novamente, com a seguinte agenda:
FEIRA BAILE DA DIVERSIDADE
De 18 de junho a 28 de junho
Parceria com a Parada de Luta LGBT+
II Fórum de Empreendedorismo LGBTQIA+
18 de junho, das 9h às 19h
Câmara Municipal de Porto Alegre, sala 301.
III DiversidARTE
19 de junho, às 17h — inauguração
Até 25 de junho, das 12h às 18h
Foyer do Multipalco TSP
Entrada gratuita.
Feira Baile da Diversidade
21 de junho, das 14h às 21h
Praça Brigadeiro Sampaio.
Entrega do Troféu Sylvinha Brasil
28 de junho, na Redenção
Aos destaques da Diversidade, com apresentação de Vagner Oliveira e Gaio Fontella, na Parada de Luta LGBT+ de Porto Alegre, coordenada por Roberto Seintenfus.







