Tomando, em uma livre associação, o tema da nova novela das vinte e uma horas da Globo, trago uma reflexão sobre os cuidados mais amplos com nossos objetos de amor e sobre como, na intenção de sermos cuidadores, estamos atuando.
A novela das vinte e uma horas da Globo, de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, “Quem Ama Cuida”, já me capturou nesses primeiros capítulos, enquanto noveleiro, psicólogo e psicanalista, ao apresentar, na trama, ações realizadas em nome do cuidado com o outro.
Desde a solidariedade do personagem Carlos, interpretado por Jesuíta Barbosa, que morre na enchente para salvar uma senhora, até a generosidade da protagonista Adriana, vivida por Letícia Colin, que deixa de comer para alimentar uma pessoa em situação de rua e se arrisca na tragédia para salvar a família, enfrentando os lutos de perder tudo, inclusive o esposo amado.
Temos também Chay Suede, no papel de Pedro, que, pelo cuidado e pelo amor ético à advocacia, não se locupleta das facilidades do escritório de direito do pai “bem-sucedido”, envolvido na defesa de falcatruas de corruptos. Ainda encontramos a vilã Pilar, interpretada por Isabel Teixeira, que se passa por cuidadora do irmão, Arthur Brandão, vivido por Antônio Fagundes, buscando interditá-lo para tornar-se sua curadora e usufruir de sua fortuna.
A empatia e a solidariedade, que sempre emergem das tragédias, nos dão esperança no lado bom da humanidade. De que estofo são feitos esses personagens que arriscam a própria vida pela vida do outro? Acredito que, na singularidade de cada história, vamos encontrar belas identificações.
Ser cuidador é algo que caracteriza muito quem atua na área da saúde. Nela, vamos encontrar aqueles que apostam no nosso SUS como a maior política pública de saúde do país. Porém, também temos representações que buscam um retrocesso ao antigo Inamps, “cuidando” dos interesses da privatização e dos lucros com as doenças.
No campo social, para não termos “SUStos”, precisamos pensar nas escolhas que estejam na direção dos cuidados com nossos direitos humanos e sociais plenos. Quem tem esse amor pode eleger “mastercomprometidos” com milícias, rachadinhas e mentiras?
Na psicanálise, não nos colocamos como curadores, pois a cura não depende somente do nosso desejo, que deve ir ao encontro do desejo do analisando. Quando interpretamos, mesmo na perspectiva lacaniana, e o vínculo — a transferência — permite, os efeitos serão vistos no chamado “só depois”.
Com toda a nossa paixão, corremos o risco, na tentativa de facilitar a cura, de permitir que a resistência dê as cartas diante de um núcleo mais duro, inconsciente, levando à evasão do processo analítico. Esse processo não é raso, mas transformador para quem tem coragem de ir em frente, tendo consciência de que nele existem projeções próprias da neurose de transferência na figura do analista.
Quem se ama se cuida em sentido holístico: na qualidade de vida, que passa pelo aspecto nutricional, pelas definições vocacionais e pelas escolhas afetivas. O processo psicoterápico analítico tem papel fundamental nesses engajamentos. Para isso, contamos com nossa escuta, que deve estar na potência ética do encontro de desejos, pois nós, analistas, dirigimos a análise, não a vida de nossos analisandos. Investir na análise pessoal facilita que não façamos folhetins do nosso desejo, nem sejamos canastrões.
Em tempo: como ativista LGBT+, que ama ser cuidador do estímulo ao multiempreendedorismo e ao turismo gay friendly, com parcerias, lembro que a quarta edição da Feira Baile da Diversidade, sob minha direção e com organização da prefeita da Praça Brigadeiro Sampaio, Marivani Anhanha Rogério, ocorre no dia 21 de junho, das 14h às 21h, na Praça Brigadeiro Sampaio, em Porto Alegre, com shows, DJs e escolha da Corte. Simpatizantes e ativistas estão convidados a participar e divulgar.








