Depois de 104 dias sem saber o que era vencer longe de seus domínios, o Grêmio finalmente colocou um ponto final nesse incômodo jejum. A vitória por 3 a 0 sobre o Deportivo Riestra, na noite desta terça-feira (05), além de aliviar a pressão, colocou momentaneamente o Tricolor na liderança do Grupo F da Copa Sul-Americana, com sete pontos.
O resultado, à primeira vista, sugere uma atuação dominante. E, de fato, existe uma diferença técnica considerável entre as equipes. No entanto, quem acompanhou a partida percebe que o placar não traduz fielmente o que aconteceu em campo.
Apesar da superioridade, o Grêmio voltou a apresentar problemas que vêm se repetindo ao longo da temporada. A equipe concedeu espaços e permitiu chances ao adversário — algo preocupante, considerando o nível técnico limitado do Riestra. Fica a sensação clara: diante de um time mais qualificado, o desfecho poderia ter sido bem diferente.
Esse é o principal ponto de alerta. O Riestra não marcou não por solidez defensiva gremista, mas, em grande parte, por suas próprias limitações. Contra um adversário mais eficiente, essas falhas podem custar caro.
O técnico Luís Castro manteve a estrutura tática recente, apostando no 3-4-3 com três zagueiros. Houve mudanças pontuais: Viery entrou na vaga de Balbuena, Willian substituiu o lesionado Nardoni, e Amuzu retornou ao ataque no lugar de Enamorado, com Carlos Vinicius centralizado. Ainda assim, o padrão se repetiu: dificuldades na criação ofensiva e falta de controle do jogo, mesmo diante de um adversário frágil.
E esse cenário acende ainda mais a preocupação para o próximo desafio, contra o Flamengo. Enfrentar uma das equipes mais fortes do país exigirá um nível de desempenho muito superior ao apresentado. Caso contrário, sustentar um resultado positivo será uma missão complicada.
A vitória, sem dúvida, cumpre um papel importante: encerra um jejum incômodo, reduz a pressão e coloca o Grêmio de vez na briga por uma vaga à próxima fase da competição. Mas é preciso cautela. Olhar apenas para o placar é ignorar problemas evidentes.
Se quiser evoluir e se tornar competitivo de verdade, o Grêmio precisa reconhecer que ainda está longe de um padrão ideal. Os 3 a 0 servem para aliviar — não para iludir.
Foto: Lucas Uebel







