O Grêmio venceu o Coritiba em uma tarde de domingo na Arena, onde mais de 35 mil torcedores cantaram e apoiaram o Tricolor. O time de Luís Castro lutou e criou muito na partida. O garoto Gabriel Mec brilhou ao marcar seu primeiro gol com a camisa do Imortal. Aliás, o jogo foi dele: antes de balançar as redes, Mec deu uma bela assistência para Carlos Vinícius, que teve seu gol anulado. Além dele, Nardoni e Wagner Leonardo também viram seus respectivos gols serem invalidados pela arbitragem.
A vitória traz fôlego, mas também nos convida a uma reflexão necessária sobre o que queremos para o futuro. Nós, torcedores, cobramos incessantemente uma mentalidade de mudança dentro do clube. Queremos profissionalismo, conceitos modernos e uma postura vencedora que condiz com a nossa história. No entanto, muitas vezes pecamos pelo nosso próprio imediatismo. Esquecemos que o futebol não é um interruptor de luz que se liga do dia para a noite; um trabalho de reconstrução exige paciência, lastro e, acima de tudo, tempo.
Para entender o amanhã, precisamos olhar para o ontem. Em 2014, quando o Grêmio passava por um momento de transição e escassez de títulos, Felipão iniciou um processo silencioso de mudança de cultura e montagem de grupo. Não foi um sucesso instantâneo, e as críticas, na época, foram severas. Contudo, aquele plantio foi o que permitiu que batêssemos o nosso auge em 2017, com o tricampeonato da Libertadores. O brilho daquela taça começou na poeira do trabalho árduo três anos antes.
Eu fui um feroz crítico de Luís Castro, e sempre serei, pois o Grêmio necessita honrar sua camisa, sua história e mostrar qualidade. Mas não posso negar que o treinador português é um bom técnico. Lógico que, como todos os outros, ele sofre por sua teimosia e por convicções que, às vezes, não fazem sentido, como a escalação de Tetê, que erra tudo, até o pensamento.
O Grêmio necessita de uma reconstrução e, quem sabe, estejamos iniciando uma. Talvez de maneira silenciosa e impaciente, mas estamos tentando mudar. O talento de jovens como Gabriel Mec nos dá esperança, mas é o projeto sólido que garantirá que esse talento não seja desperdiçado. Que saibamos separar o desejo da pressa, para que o topo da América não seja apenas uma lembrança, mas um destino recorrente.







