Futebol é, antes de tudo, uma ciência de encaixes. Mas, no Grêmio de 2026, essa ciência tem flertado perigosamente com a gambiarra. Por isso, a notícia de que Mathías Villasanti está no horizonte, com retorno previsto para o início de maio, não é apenas um boletim médico positivo; é um alento para quem já não aguenta mais ver o time escalado no “arame farpado”.
Luís Castro tem um plano. Ele quer os três volantes, quer o preenchimento de espaço, quer a compactação que permite o erro lá na frente sem o desespero lá atrás. E, convenhamos, Villasanti é o operário de luxo que esse esquema pede. Ele não apenas corre; ele ocupa. Ele não apenas marca; ele limpa o trilho. O paraguaio é o silêncio necessário para que os outros façam barulho.
E por falar em barulho, o que se ouve nas arquibancadas e nas redes é um desejo uníssono: Arthur e Villasanti. É a união do útil ao agradável, do passe que encontra o vão (que só o Arthur enxerga) com a cobertura que apaga o incêndio (que só o Villa faz). É o meio-campo dos sonhos para quem cansou de ver um deserto entre a defesa e o ataque.
Porém, enquanto esse dia não chega, a gente olha para o campo e não consegue evitar a comparação. Vamos ser sinceros: o Grêmio hoje é um Fiat Marea.
Sim, aquele clássico das oficinas. Um Marea todo remendado, com peça de ferro-velho, radiador de outro modelo e uma suspensão que ninguém sabe como ainda sustenta o chassi. Vivemos no eterno improviso. É o atacante que faz a lateral, o guri que sobe sem estar pronto porque não tem outra opção, e a torcida sempre com o extintor na mão, esperando o próximo estouro no motor. É a engenharia do possível substituindo o planejamento do necessário.
Villasanti retornando é, finalmente, a chance de colocar uma peça original de fábrica nesse motor viciado em remendos. É a esperança de que o “Marea Tricolor” pare de soltar fumaça a cada subida de ladeira e passe, enfim, a rodar com a estabilidade de quem sabe que tem combustível e peça de reposição.
Que venha maio. Porque o Grêmio precisa parar de ser um experimento mecânico e voltar a ser um time de futebol. Com Villasanti e Arthur, quem sabe, a gente finalmente saia da “oficina” para buscar o que realmente importa a taça.







