Preparativos para Dia da Conscientização do Autismo destacam conquistas e desafios

Rio de Janeiro, 30 de março de 2026 – Falta pouco para o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 4 de abril. Em todo o país, organizações e famílias preparam ações alusivas à data, refletindo sobre conquistas recentes e os desafios que persistem na inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O tema da campanha nacional deste ano – “Autonomia se constrói com apoio” – reforça que a autonomia de pessoas autistas se amplia quando elas recebem suporte adequado, sem cobranças de independência total.

O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminado de azul para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Monumentos e prédios públicos em várias capitais aderem ao “Abril Azul”, iluminando-se nessa cor como forma de apoio.

Nos últimos anos, o Brasil avançou em ações e serviços voltados ao TEA. Desde 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem implantando salas multissensoriais em suas agências para um atendimento mais acolhedor às pessoas autistas. “A inclusão não é importante somente para a pessoa com o transtorno, mas também para os responsáveis. A inclusão é familiar e não individual”, destaca o ministro da Previdência, Carlos Lupi. Na mesma linha, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, ressalta que “inclusão é cidadania”. Políticas públicas na última década consolidaram direitos e ampliaram o acesso a terapias e educação para pessoas com TEA.

Um reflexo positivo da conscientização crescente é a identificação de mais pessoas no espectro. O número de estudantes autistas matriculados em escolas brasileiras saltou de cerca de 41 mil, em 2015, para 884 mil em 2023. Especialistas atribuem esse crescimento à melhoria do diagnóstico e à informação mais difundida sobre o autismo. “O TEA deixou de ser ‘transtorno invasivo do desenvolvimento’ para ser um espectro mais amplo. Essa mudança aumentou também o número de pessoas que entraram nesse espectro”, explica o psiquiatra Fábio Pinato Sato, do Instituto de Psiquiatria da USP. Hoje estima-se que o TEA faça parte da vida de cerca de 6 milhões de brasileiros, número muito superior às estimativas de anos atrás – evidenciando o quanto muitos casos antes passavam despercebidos.

A inclusão social também progrediu. “Acho que está muito melhor do que era há 10 anos. Hoje as escolas conseguem ser mais inclusivas… e há inclusive preocupação nas empresas”, avalia Sato. Ele pondera, porém, que índices de bullying contra autistas ainda preocupam e muitos adultos no espectro enfrentam dificuldades de acolhimento – o que mostra que ainda há muito a melhora. “Temos que batalhar para que a inclusão não seja uma teoria, seja prática”, defende Sato.

Helielma Barcellos Menzes, educadora e especialista em terapia ABA, comemora a visibilidade crescente do autismo e reforça o compromisso contínuo da sociedade. “Conquistamos avanços importantes na última década, mas ainda há um longo caminho a percorrer. A conscientização precisa crescer cada vez mais para derrubar preconceitos e garantir inclusão em todos os espaços”, afirma Helielma.

spot_img
- Conteúdo Pago -spot_img

Publicidade