O melhor filme nacional que já vi foi #SalveRosa. A produção escancara uma ferida social que muita gente prefere fingir que não existe: mães e pais que transformam os próprios filhos em vitrines de um capitalismo cruel, onde curtidas, contratos e status valem mais do que infância.
A atuação de Klara Castanho é simplesmente arrebatadora. Rosa, aos 17 anos, descobre que sua vida inteira foi uma encenação. Criada como uma “eterna criança”, impedida de ultrapassar simbolicamente os 13 anos, ela vive aprisionada em uma imagem construída para vender. A mãe, Dora, sustenta o discurso de que tudo é “para o futuro da filha”, mas o que vemos é ambição, vaidade e dependência financeira mascaradas de cuidado materno.
O filme provoca porque não fala apenas de ficção. Ele dialoga diretamente com a realidade das redes sociais, onde crianças são expostas desde o nascimento, muitas vezes sem qualquer noção do que isso pode significar no futuro. A lógica da performance substitui a proteção. A monetização substitui o afeto.
O caso de Larissa Manoela, que veio a público ao relatar que, já quase aos 18 anos, precisava pedir dinheiro aos pais até para despesas simples, também acendeu esse debate. Quando o controle financeiro se transforma em instrumento de poder, a linha entre cuidado e abuso fica perigosamente tênue. Impedir um jovem de administrar o próprio dinheiro pode ser menos sobre proteção e mais sobre não querer abrir mão do controle — e, muitas vezes, dos lucros.
#SalveRosa não é só um filme. É um alerta. Sobre fama precoce. Sobre pais que projetam frustrações nos filhos. Sobre uma sociedade que consome infância como produto. E, principalmente, sobre o direito de crescer — com autonomia, dignidade e voz própria.



