Pinnochio foi criado pelo italiano Carlo Collodi e publicado entre 1881 e 1886 em um jornal infantil vendido nas bancas da Itália. Anos mais tarde, em 1940, a história infantil ganhou fama mundial pelas mãos de Walt Disney. O Pinnochio original era um malandro e os personagens, ambíguos. A narrativa era repleta de crítica e refletia os problemas econômicos que a Itália enfrentava 20 anos após o “Risorgimento”, um movimento ocorrido entre 1815 e 1870, que tinha como objetivo unificar a Itália. Nada a ver com o Pinóquio de Disney e suas “boas” intenções maniqueístas.
O foco no nariz que cresce conforme as mentiras se acumulam talvez seja a maior contribuição de Disney nessa ficção infantil e sua própria definição de um país, o seu. Os EUA de Disney e Hollywood manipularam mentes e almas por décadas, e ainda o fazem.
Hoje, Pinóquio ou Pinnochio tem seguidores que não se envergonham de suas mentiras e manipulações, esbanjam vaidosamente seus grandes narizes, usam e abusam de estratégias para impor suas visões, publicam fakenews e não gostam de controle das redes sociais. O nariz da Grande Mídia Ocidental tem um comprimento continental.
Na geopolítica, esse nariz cresce ensanguentado na parcialidade subserviente que emburrece e desinforma. Destaca as vitórias de Israel sobre seus inimigos e pouco fala sobre os mísseis iranianos que arrasaram partes do país e desafiaram a eficácia do outrora invencível domo de ferro. Nos “informa” sobre os ataques vitoriosos dos EUA contra o Iêmen e nada sobre o míssil dos Houthis que atingiu o porta-aviões USS Harry S. Truman no Mar Vermelho. E a derrota da Rússia na Ucrânia? Agora, o destaque na mídia ocidental é o maior poderio bélico do planeta e sua força naval deslocada para infringir uma derrota exemplar ao malvado Irã. Sabe-se lá o que essa mídia dirá após um possível ato falho do Pato Donald, envaidecido pela tomada fácil da frágil Venezuela.
Os herdeiros dos persas têm história, drones, mísseis balísticos e o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção de petróleo global. Desde 1979, quando a Revolução Iraniana derrubou a monarquia do Xá Mohammad Reza Pahlavi com o retorno do exílio do Ayatolah Ruhollah Khomeine, os EUA e Israel não conseguem derrubar o regime iraniano, nem por armas, nem por Primaveras Árabes planejadas pela CIA e pelo Mossad.
Os EUA não estão em um bom momento. Uma real decadência surge no horizonte do império. E nada como uma mídia vassala e o poder das armas para abafarem um último suspiro de poder.
A posição econômica norte-americana está enfraquecida, especialmente em relação à China. O gigante asiático teve um impressionante superávit comercial no último trimestre, equivalente a 4% do PIB, mesmo com as importações dos EUA caindo 20% neste período, consequência do aumento das exportações chinesas para outros países. Foi um choque de realidade para os EUA, que viram sanções e tarifaços não surtirem efeito contra o crescimento econômico chinês. A China é imbatível em ganhos de produtividade e competitividade.
Para se complicar ainda mais, o dólar vem se desvalorizando e perdendo confiança, ocasionando uma fuga de dinheiro dos EUA. A classe média sofre com a perda de renda e o desemprego. A pobreza se alastra e corrói o sonho americano. O que sobra? Armas e mentiras.
O marketing fantasioso ditado às mídias ocidentais é a única forma de se manter por mais tempo na ficção de um império que não existe mais. O nariz do Pinóquio não para de crescer, cutucando a ira dos Persas.



