A igreja de Jesus Cristo não foi levantada para ser palco de vaidades, vitrine de status ou empresa religiosa. Ela foi comprada com sangue. Sangue na cruz. E cruz não combina com marketing, não combina com bajulação, não combina com favoritismo.
A Palavra é clara. Em Tiago 2:1-4 está escrito que não devemos fazer acepção de pessoas. Se entra o bem vestido e recebe honra, e o simples é colocado no canto, estamos negando o próprio Evangelho. Estamos dizendo, na prática, que a bênção é material. Que o valor de alguém está no que veste, no carro que dirige, no dízimo que entrega.
Isso é pecado.
A igreja precisa de sabedoria , e sabedoria bíblica não é diplomacia humana, é temor do Senhor (Provérbios 9:10). Sabedoria é tratar conflito com verdade, não com politicagem. É corrigir em amor, mas corrigir. É não proteger erro porque o errado é influente. É não silenciar injustiça porque o envolvido ajuda muito.
Os conflitos dentro da igreja sempre existiram. Houve divergência entre líderes no Novo Testamento. Mas o problema não é o conflito , é a carnalidade. É quando o púlpito vira trono, quando o cargo vira identidade, quando o título pesa mais que o caráter.
Há pastores feridos e há ovelhas feridas. Há irmãos que servem em silêncio, com lágrimas nos olhos, enquanto outros disputam posição. Há gente que se sente abandonada dentro da própria casa espiritual. Isso é devastador.
Quando alguém entra na igreja e sai se sentindo invisível, nós falhamos. Quando alguém é ignorado porque não tem dinheiro, nós traímos o Evangelho. Quando bajuladores têm espaço e os que servem com sinceridade são esquecidos, nós estamos doentes.
Em Atos dos Apóstolos 2:44-45, a igreja repartia, cuidava, supria necessidades. Em Tiago 1:27, a religião pura é cuidar do órfão e da viúva. Pergunta direta, que dói: estamos cuidando mesmo? Ou estamos investindo mais em aparência do que em compaixão?
O Evangelho não pode virar empresa. Alma não é cliente. Culto não é espetáculo. Pastor não é celebridade e irmão não é concorrente.
Quando o dinheiro começa a decidir prioridades espirituais, já não é mais o Espírito que governa , é o interesse.
E por isso almas estão se perdendo. Não porque o mundo é forte demais, mas porque a igreja, às vezes, está fraca demais por dentro. Estamos ocupados demais disputando posição e esquecendo a missão.
A igreja precisa voltar para o chão. Voltar para o joelho dobrado. Voltar para a mesa simples. Voltar para a cruz.
Quem serve a Cristo de verdade não precisa bajular ninguém. Quem vive para Jesus não precisa competir. Quem entende o Reino sabe que o maior é o que serve.
Sabedoria é confrontar sem ódio, é corrigir sem humilhar, é liderar sem manipular, é servir sem esperar aplauso.
Se a igreja quer impacto no mundo, precisa primeiro de arrependimento dentro dela.
Que doa a quem doer: não é o mundo que está estragando a igreja. Muitas vezes é o orgulho dentro dela. É a vaidade escondida atrás de versículos. É o amor ao dinheiro disfarçado de prosperidade.
Mas ainda há esperança.
Porque a igreja verdadeira não é feita de bajuladores. É feita de gente quebrantada, gente que ama mais a presença do que a posição, gente que prefere perder destaque do que perder a alma, gente que entende que a maior riqueza não está no bolso , está na eternidade.
Que Deus nos dê sabedoria para sermos igreja de verdade. Não empresa. Não palco. Não clube.
Mas corpo vivo de Cristo.
E se for preciso começar pelo arrependimento ,que comece por nós.



