No meio de mais uma discussão acalorada, Milena foi chamada de “doente mental” e “retardada”. Palavras jogadas no calor da briga, como se fossem apenas munição comum em um reality show. Mas não são.
Usar “doente mental” como ofensa transforma saúde mental em deboche. Em um país onde milhões de pessoas enfrentam depressão, ansiedade e outros transtornos psicológicos, tratar isso como xingamento reforça preconceito e desinformação. Saúde mental não é insulto — é assunto sério.
Já a palavra “retardada”, além de ultrapassada, carrega um histórico pesado de discriminação contra pessoas com deficiência intelectual. É um termo que há anos vem sendo combatido justamente por seu uso pejorativo. Quando ele aparece como arma em uma discussão, o que se expõe não é a fraqueza do alvo, mas a pobreza do argumento de quem ataca.
No Big Brother, o conflito faz parte do jogo. O embate de ideias movimenta a casa e o público. Mas quando o ataque sai do campo das atitudes e vai para ofensas que reforçam estigmas sociais, o jogo deixa de ser estratégico e passa a ser raso.
No fim das contas, chamar alguém de “doente mental” ou “retardada” não fortalece quem fala. Apenas evidencia descontrole e falta de repertório. E, em um programa onde cada palavra pesa, isso pode custar muito mais do que uma discussão — pode custar a própria imagem.



