O irônico da vida — e do confinamento televisionado — é descobrir que o grupinho da quinta série já não agrada tanto quanto parecia no recreio. Aí o sujeito olha para o lado, mede forças, faz conta mental e tenta atravessar o pátio para sentar na mesa dos mais populares.
Sim, estou falando de Marcelo, especialista em permanecer em cima do muro — posição desconfortável, diga-se, porque o muro costuma ter caco de vidro quando o jogo aperta. Ele observa o grupo mais forte com aquele olhar de quem avalia se pula agora ou espera o intervalo comercial. Enquanto isso, assiste de camarote ao massacre da antiga turminha, torcendo para que ninguém perceba que ele ainda está oficialmente ali.
Porque, convenhamos, entrar no Big Brother Brasil para disputar cinco milhões de reais não é excursão para clube recreativo. Piscina é cenário, não estratégia. Pose rende close, mas não garante sobrevivência.
É preciso se posicionar. Armar jogadas. Confiar — ou fingir muito bem que confia — no próprio grupo. Ser mais rápido que os adversários e, principalmente, menos transparente que o vidro do box do banheiro.
O curioso é que, no meio do caos, batem palmas. Não para quem dança conforme a música, mas para quem rege a orquestra. No sincerão, aplaudem a melhor jogadora que leva punição da edição, falta de respeito.
Babu comemorou a permanência de forma efusiva, não se despediu de Sarah e ainda provocou Jonas ao lembrar que continuava no jogo — atitude que foi interpretada por muitos como desrespeitosa. Do outro lado, aliados de Sarah passaram a desconfiar que a berlinda pudesse ser um paredão falso, levantando teorias.
Enquanto Marcelo continua ali, equilibrando-se entre dois mundos, como quem tenta decidir se atravessa a rua… depois que o caminhão já passou por cima do seu time.
No BBB, neutralidade raramente é virtude. Geralmente é só atraso de decisão — e atraso, nesse jogo, custa caro. Muito caro. Cinco milhões, para ser mais exato.



