A vitória de virada por 5×3 sobre o Botafogo foi importante, necessária e, acima de tudo, simbólica. Em um jogo aberto, intenso e cheio de emoções, o Grêmio mostrou poder de reação, competitividade e força coletiva para buscar um resultado expressivo diante de um adversário direto. O placar elástico dá moral, acalma o ambiente e reforça a confiança do elenco, mas está longe de apagar os sinais de alerta que o jogo deixou.
Defensivamente, o Grêmio voltou a apresentar problemas claros. A proposta de atuar com linhas altas escancarou limitações já conhecidas do elenco. Para sustentar esse tipo de ideia, é indispensável ter zagueiros rápidos, com boa recuperação e leitura de profundidade — características que hoje não são o ponto forte do sistema defensivo gremista. O resultado foi um time exposto, vulnerável às bolas longas e constantemente atacado em transições rápidas.
Outro ponto que chamou atenção foi a falta de compactação tática, especialmente na primeira etapa. O time se mostrou espaçado, com setores desconectados, facilitando a infiltração do adversário entre linhas. Quando a defesa sobe sem que o meio acompanhe de forma coordenada, o risco se multiplica — e isso ficou evidente ao longo do jogo, principalmente antes do intervalo.
Ofensivamente, o Grêmio foi eficiente e soube aproveitar os espaços que o jogo ofereceu. Carlos Vinícius segue vivendo um ótimo momento e foi novamente decisivo. O camisa 95 se entrega, participa e aparece nos momentos importantes, sendo hoje uma das peças mais confiáveis do time. Ainda assim, o debate sobre Seleção Brasileira pode — e deve — ser tratado com cautela. O melhor cenário para o jogador e para o clube é a continuidade do bom desempenho, longe de ruídos externos e expectativas exageradas.
A vitória por 5×3 merece ser valorizada, mas também precisa ser interpretada com frieza. O Grêmio venceu apesar das falhas defensivas, não porque elas foram corrigidas. O placar alto não pode mascarar problemas estruturais que, contra adversários mais organizados, tendem a cobrar um preço ainda maior.
Ganhar é fundamental. Mas, para quem pensa grande, corrigir enquanto vence é obrigação.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio



