Assisti na noite de ontem (5) ao filme O Agente Secreto e, sinceramente, não consegui entender como a produção venceu o Globo de Ouro e ainda foi indicada ao Oscar. Para mim, infelizmente, este ano não teremos estatueta — nem mesmo para Wagner Moura.
A trama começa com o personagem chegando a um posto e encontrando um homem morto, sem saber exatamente quem cometeu o crime. Ele apenas supõe, mentalmente, que pode ter sido alguém do partido da direita na política. Depois, ao chegar em Recife, o filme segue com situações que prefiro deixar para quem for assistir tirar suas próprias conclusões.
Um dos poucos momentos que considerei interessantes é quando ele rouba documentos de familiares para descobrir quem eram seus pais — aparentemente pessoas que ele nunca conheceu.
Mais adiante, ao perceber que corre risco de morte, pede que acelerem os papéis para que ele e o filho consigam deixar o Brasil. Após isso, a narrativa salta vários anos no tempo: o filho já adulto permanece em Recife e é entrevistado por uma estudante para um trabalho universitário sobre a história do pai. Ele admite não lembrar muito daquele período… e então o filme termina.
Wagner Moura já entregou atuações muito mais marcantes — Tropa de Elite é prova disso. Aqui, ficou bem abaixo do que se espera.
Se esse filme realmente sair vencedor no Oscar, confesso que fico me perguntando como o cinema brasileiro está sendo enxergado lá fora.
Em contrapartida, Ainda Estou Aqui mostrou por que mereceu cada estatueta conquistada no Globo de Ouro e no Oscar: uma obra sólida, bem construída e que aposta na força da narrativa sem empurrar posicionamentos políticos ao público. Um exemplo de cinema de qualidade, capaz de dialogar com diferentes visões e representar o Brasil com maturidade no cenário internacional.



