Enquanto a mulher leva facada, o governo leva flores pro palco. Enquanto o SUS agoniza, o Estado contrata DJ.
Essa é a síntese da gestão Eduardo Leite: performance no camarote, abandono no corredor do hospital.
Não é exagero. Em menos de 30 dias, 11 mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul — crime que tem nome, sobrenome e estatística: feminicídio. Mas o Piratini prefere responder com retórica gourmetizada.
Enquanto a fila da emergência dobra quarteirões, mais de R$ 23 milhões sairam do caixa público na gestão Eduardo Leite e cae direto no colo do Planeta Atlântida — festival privado, lucrativo e já consolidado. É como se, no meio de um incêndio, o bombeiro jogasse gasolina porque a fogueira “também gera calor humano”.
E se alguém perguntar “qual o retorno disso?”, ouve aquela velha cantilena do marketing institucional: “movimenta a economia local”, “gera visibilidade”…
Ah, beleza. Então me mostra aí, Excel na mão:
Quantos leitos de UTI foram criados com essa visibilidade?
Quantos agressores monitorados com essa publicidade?
Quantas consultas de especialidade cabem nesse investimento?
Spoiler: Nenhuma. Porque isso não é política pública. É gestão de imagem com dinheiro dos outros — do meu bolso, do teu, da mulher que tá pedindo socorro com medida protetiva que ninguém cumpre porque não tem estrutura.
Eduardo Leite age como o gestor do Instagram. Governador de ring light. Fala bonito, posa melhor ainda, mas entrega zero onde a dor é crua.
E não venha com essa de que “são áreas diferentes”. Dinheiro público é um só. Se sobra pra festival e falta pra saúde, é porque alguém escolheu onde cortar e onde enfeitar.
E nesse caso, escolheu cortar da carne do povo e enfeitar a maquiagem do governo.
A pergunta final continua de pé: Eduardo Leite está no poder pra mudar a realidade ou pra ganhar curtida na fanpage?
Porque se for só pra isso, fecha o Piratini, monta um camarim e assume logo: o Rio Grande virou palco — e o povo, figurante de tragédia.



