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Empresas enfrentam regras mais rígidas no WhatsApp; compliance vira prioridade

O WhatsApp, um dos principais canais de comunicação corporativa no Brasil e no mundo, vem ajustando as políticas que regem o uso de sua plataforma por empresas com foco em mensageria, atendimento e automação. A Meta, responsável pelo aplicativo, atualizou os termos de uso do WhatsApp Business API para reforçar limitações específicas sobre o uso de assistentes baseados em inteligência artificial (IA) de propósito geral, uma mudança que foi planejada para entrar em vigor em 15 de janeiro de 2026.

A política oficial de mensagens da Meta, que define o que é permitido nos serviços empresariais do WhatsApp, já especifica proibições claras relacionadas à promoção de conteúdo ilegal ou uso indevido da plataforma, e ressalta que as empresas que utilizam o serviço devem cumprir integralmente essas diretrizes para evitar sanções como bloqueios ou restrições de conta.

Para Sandro Wegner, CEO da Native, o movimento não deve ser interpretado como uma limitação isolada, mas como parte de um processo de amadurecimento do uso corporativo dos canais digitais.

"A plataforma deixou claro que não se trata apenas de tecnologia, mas de responsabilidade. Empresas que utilizam o WhatsApp precisam compreender que comunicação em escala exige regras, processos e governança", afirma.

Segundo o executivo, o contexto mais amplo de uso dos canais digitais também contribui para esse cenário de maior rigor.

"Em períodos sensíveis, como ciclos eleitorais, as plataformas tendem a intensificar a vigilância sobre a mensageria, especialmente para coibir disparos em massa e a disseminação de desinformação. Mesmo que as regras não sejam criadas exclusivamente por causa das eleições, esse ambiente de maior responsabilização impacta diretamente a forma como as empresas estruturam o uso de automações e canais digitais", analisa.

Esse cenário, entende Wegner, tem reflexos diretos nas operações de relacionamento com clientes.

"A integração entre diferentes canais de comunicação, como mensagens, voz e atendimento humano, passa a exigir maior organização e controle. Sistemas tradicionais de telefonia corporativa, como soluções de PABX, por exemplo, continuam inseridos nesse ecossistema, agora conectados a plataformas digitais e fluxos de atendimento mais complexos", declara, para, em seguida, emendar:

"Nesse contexto, a gestão de atendimento assume papel central ao definir critérios de encaminhamento, registro de interações e uso adequado de automações. A inteligência artificial, por sua vez, segue sendo utilizada de forma complementar, apoiando tarefas como triagem inicial, categorização de demandas e organização de fluxos, desde que respeite as diretrizes estabelecidas pelas plataformas".

Segundo Wegner, o principal desafio das empresas nos próximos anos será equilibrar eficiência operacional e conformidade.

"A tendência observada para 2026 aponta para um ambiente em que empresas precisam adotar estruturas mais robustas de governança digital, combinando automação, IA e atendimento humano dentro de limites bem definidos. Nesse cenário, a conformidade com as regras das plataformas deixa de ser apenas uma exigência técnica e passa a integrar o planejamento estratégico das organizações", encerra.

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