Nesta terça-feira (27), Santa Maria volta a lembrar a madrugada em que a Boate Kiss pegou fogo, em 2013, interrompendo a vida de 242 jovens e marcando para sempre centenas de famílias. Para quem vivia na cidade, a Kiss era um ponto conhecido — frequentado por estudantes e moradores locais — e, como em qualquer noite de lazer, ninguém imaginava que o destino seria tão trágico.
A dor dos pais e mães que perderam seus filhos é impossível de mensurar. Jovens de 16, 18, 20 anos tiveram sonhos, planos e futuros interrompidos de forma brutal. A tragédia também levantou, ao longo dos anos, reflexões importantes sobre segurança em casas noturnas, fiscalização, responsabilidade das autoridades e o papel das famílias na orientação de adolescentes.
Não se trata de apontar culpados entre quem sofreu a maior das perdas, mas de reconhecer que a proteção dos jovens precisa ser constante. Tragédias como a da Kiss mostram que locais inseguros ainda existem e que a atenção, o diálogo e os limites fazem parte do cuidado com filhos e adolescentes.
À época do incêndio, eu também tinha 16 anos. Como muitos jovens, sentia curiosidade em sair à noite, mas meus pais não permitiam. Depois do ocorrido, essa vontade desapareceu. A lembrança reforçou a importância da vigilância e da responsabilidade — não apenas das famílias, mas também dos empresários, dos órgãos fiscalizadores e de todos os envolvidos na cadeia que deveria garantir a segurança do público.
A indignação permanece porque, além dos réus julgados nos tribunais, há discussões sobre falhas estruturais e decisões que antecederam a tragédia. São questões que continuam sendo debatidas por familiares das vítimas e pela sociedade.
Hoje, mais do que nunca, o sentimento é de respeito e memória. Rezo para que as vítimas da Kiss estejam em paz e me coloco no lugar das famílias, imaginando a dor irreparável que carregam desde aquela madrugada.
As homenagens realizadas em Santa Maria — como os círculos pintados no chão com os nomes das vítimas, as velas e as flores deixadas em silêncio — reforçam que a cidade não esquece. São gestos simples, mas carregados de significado, que mantêm viva a lembrança e o pedido por justiça e prevenção.
Como jornalista independente, acompanho essas manifestações à distância, sem patrocínio para estar presencialmente na cobertura, recorrendo a registros publicados nas redes sociais para mostrar como a memória segue sendo preservada.
A Boate Kiss não é apenas um capítulo do passado. É um alerta permanente. Lembrar é também exigir que tragédias como essa nunca mais se repitam.





