A indicação para Oscar de “O Agente Secreto” a quatro categorias — Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator — reacende um debate que já vem se repetindo no cinema brasileiro recente: até que ponto estamos celebrando inovação e até que ponto estamos premiando fórmulas conhecidas?
Para mim, o longa repete a lógica vista em “Ainda Estou Aqui”. A estrutura dramática é semelhante, o tipo de narrativa segue o mesmo caminho e a sensação é de que apenas o enredo muda, enquanto o esqueleto da história permanece praticamente intacto. Não se trata de negar a qualidade técnica, mas de questionar a originalidade diante de tantas produções nacionais que ousam mais — e recebem menos atenção.
Se existe um ponto praticamente incontestável, é a atuação de Wagner Moura. O ator segue se entregando por completo a cada papel, sustentando projetos inteiros com sua presença e intensidade. Caso o filme leve alguma estatueta, a de Melhor Ator parece a mais plausível.
Ainda assim, fica a sensação de oportunidade perdida. Obras como “Tropa de Elite”, por exemplo, tinham força cinematográfica, impacto cultural e potência narrativa suficientes para disputar — e vencer — categorias desse porte. Mas talvez justamente por escancarar aspectos incômodos da realidade brasileira, acabaram ficando à margem de grandes premiações internacionais.
No fim, a crítica não é à existência de “O Agente Secreto”, mas ao padrão que parece se repetir: histórias seguras, moldadas para agradar circuitos específicos, enquanto produções mais contundentes e provocadoras seguem sub-representadas.
Para mim, “O Agente Secreto” soa menos como um marco e mais como uma variação de algo que já vimos antes — uma cópia com roupagem diferente. E, diante de tantas possibilidades criativas no cinema nacional, é legítimo perguntar: estamos premiando o melhor que produzimos ou apenas aquilo que se encaixa no que o mercado internacional espera ver do Brasil?



