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Robin Williams: o gênio que fez o mundo rir enquanto enfrentava uma doença devastadora em silêncio

Nascido em 21 de julho de 1951, o ator e dublador Robin Williams marcou gerações com seu talento versátil, humor único e performances emocionantes no cinema e na animação. Dono de uma carreira extensa e premiada, ele brilhou tanto em comédias quanto em dramas, conquistando fãs ao redor do mundo — inclusive eu, por meio de filmes que atravessaram minha infância e seguem presentes até hoje.

Um dos títulos mais marcantes é “Jumanji” (1995). No filme, Williams interpreta Alan Parrish, um garoto que fica preso dentro de um jogo de tabuleiro por 26 anos e consegue retornar ao mundo real graças a duas crianças que se mudam para a antiga casa da família. A mistura de aventura, fantasia e emoção fez do longa um clássico que ainda revisito ocasionalmente.

Outro filme inesquecível é “Uma Babá Quase Perfeita” (1993), que evidenciou não apenas o talento cômico, mas também a habilidade vocal de Robin Williams. Logo no início do filme, o personagem aparece dublando desenhos animados, antecipando ao público o que viria a seguir: uma atuação cheia de carisma, improviso e sensibilidade. Também é um daqueles filmes que marcaram a infância e continuam atuais.

Sem seguir uma ordem específica, outros trabalhos reforçaram minha admiração pelo ator, como a trilogia “Uma Noite no Museu” (1, 2 e 3), em que Williams interpreta Theodore Roosevelt, e a comédia “Férias no Trailer” (RV). Assisti e gostei também de “Licença para Casar”, “Casamento do Ano” e “Maldito Feliz Natal”, entre outros títulos. Embora existam filmes de sua carreira que não me agradaram tanto, o conjunto da obra é inegavelmente marcante.

Na dublagem, Robin Williams também deixou sua assinatura. Ele deu voz ao inesquecível Gênio em “Aladdin”, além de participar de animações como “Robôs”. Sua energia vocal e criatividade ajudaram a transformar personagens animados em ícones da cultura pop.

Morte de Robin Williams

Robin Williams morreu aos 63 anos, em 11 de agosto de 2014, em um caso inicialmente associado ao suicídio após uma longa luta contra a depressão. Posteriormente, a família revelou que o ator sofria de Demência com Corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta cognição, comportamento e movimento. A revelação ajudou a ampliar o debate sobre saúde mental e doenças neurológicas, trazendo mais compreensão sobre os desafios enfrentados pelo artista em seus últimos anos.

Mesmo após sua partida, o legado de Robin Williams permanece vivo por meio de seus filmes, personagens e da profunda conexão emocional que construiu com o público.

Demência com Corpos de Lewy, doença que afeta cognição, movimento e percepção

A Demência com Corpos de Lewy (DCL) é uma doença neurodegenerativa progressiva e considerada hoje a segunda causa mais comum de demência, atrás apenas do Alzheimer. Apesar de ainda pouco conhecida pelo grande público, a condição afeta milhares de pessoas e costuma ser confundida com Alzheimer ou Parkinson devido à semelhança de sintomas.

A doença é caracterizada pelo acúmulo anormal de proteínas chamadas corpos de Lewy dentro dos neurônios. Essas estruturas são formadas pela proteína alfa-sinucleína e interferem no funcionamento do cérebro, principalmente nas áreas responsáveis pela atenção, memória, movimento e percepção visual.

Entre os principais sinais da Demência com Corpos de Lewy estão as oscilações cognitivas, quando a pessoa apresenta períodos de confusão intensa intercalados com momentos de lucidez. Outro sintoma marcante são as alucinações visuais recorrentes, geralmente muito vívidas, como ver pessoas, animais ou objetos que não existem.

A DCL também provoca sintomas motores semelhantes aos da doença de Parkinson, como rigidez muscular, lentidão dos movimentos, tremores e dificuldades para andar, além de alterações importantes no sono. Um dos quadros mais comuns é o transtorno do comportamento do sono REM, em que o paciente se mexe, fala ou reage fisicamente aos sonhos.

Diferentemente do Alzheimer, em que a perda de memória é o primeiro sinal predominante, na Demência com Corpos de Lewy os sintomas cognitivos, motores e psiquiátricos costumam surgir quase simultaneamente. Já no Parkinson, a demência geralmente aparece apenas anos após o início dos sintomas motores.

O diagnóstico da doença é clínico e feito por neurologistas ou geriatras, com base na avaliação dos sintomas, testes cognitivos e exames de imagem. Ainda não existe cura, mas o tratamento é voltado ao controle dos sintomas e à melhora da qualidade de vida. Especialistas alertam para o uso cauteloso de medicamentos antipsicóticos, já que pacientes com DCL podem apresentar reações graves a essas substâncias.

Com acompanhamento médico adequado, apoio familiar e cuidados multidisciplinares, é possível reduzir o impacto da doença e garantir mais dignidade e conforto ao paciente.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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