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Mattel lança Barbie autista e reforça representatividade do Transtorno do Espectro Autista

A Mattel volta a ser destaque ao ampliar o conceito de diversidade em sua linha de bonecas Barbie. Desta vez, a empresa lançou uma Barbie que representa o Transtorno do Espectro Autista (TEA), desenvolvida em parceria com a ASAN (Autistic Self-Advocacy Network), organização formada por pessoas autistas e dedicada à defesa de seus direitos. O objetivo foi criar um brinquedo que refletisse, de forma respeitosa, experiências reais com as quais muitas pessoas no espectro podem se identificar.

Entre as características da boneca estão articulações nos cotovelos e pulsos, permitindo movimentos repetitivos; o olhar levemente deslocado, que faz referência ao fato de que algumas pessoas autistas evitam contato visual direto; e a presença de um fidget spinner, objeto usado por muitos como recurso de autorregulação sensorial, ajudando a reduzir o estresse e melhorar o foco.

A Barbie também vem acompanhada de um fone de ouvido, utilizado por pessoas autistas para diminuir a sobrecarga sensorial causada por ruídos, além de um tablet de CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa), ferramenta importante para auxiliar na comunicação. As roupas foram pensadas com tecidos “sensíveis” ao toque, que reduzem o desconforto causado pelo contato excessivo com a pele.

Especialistas reforçam que, diante da suspeita de traços do espectro autista em crianças ou adultos, é fundamental buscar avaliação profissional. Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial não substituem o acompanhamento médico e psicológico especializado.

A notícia ganhou destaque nas redes sociais após ser compartilhada pela comunicadora Luh Pires, que descobriu ser autista em dezembro de 2025. Segundo ela, o diagnóstico representou um grande alívio e trouxe maior compreensão sobre si mesma. Atuando na área de marketing e inteligência artificial, Luh tem como principal trunfo — e também hiperfoco — o desenvolvimento de campanhas criativas utilizando IA, além de outros projetos ligados ao marketing e à influência digital.

Reconhecida também como ativista pelos direitos dos animais, Luh Pires concedeu recentemente uma entrevista à Masper TV, no programa Inspire-se. Na ocasião, ela apresentou a vinheta do programa criada inteiramente com inteligência artificial e debateu com a jornalista Andreia de Vargas temas como o filme Caramelo.

Ao comentar o lançamento da Barbie autista, Luh destacou a importância simbólica do brinquedo em um mundo ainda marcado por preconceitos em relação aos transtornos neurológicos. Para ela, a boneca representa não apenas inclusão, mas também visibilidade, respeito e a possibilidade de crianças autistas se reconhecerem positivamente desde cedo.

O relato de Luh Pires é um depoimento pessoal e emocionante sobre sua identificação com o lançamento de uma boneca Barbie que representa pessoas neurodivergentes. Ela utiliza o espaço da redes sociais para desabafar sobre os desafios de ser autista e celebrar a importância da representatividade.

Representatividade e Educação

Luh destaca que a iniciativa vai além da inclusão visual; ela serve como uma ferramenta educativa. Para ela, é essencial que crianças aprendam desde cedo que a neurodivergência existe e que “está tudo bem”.

Características do Autismo no Cotidiano

Ela descreve diversas vivências que fazem parte do seu dia a dia e de outras pessoas no espectro:

Necessidade de previsibilidade: O desconforto em ambientes caóticos ou incertos.

Hiperfoco: A capacidade de passar horas concentrada em uma única atividade.

Dificuldades sociais: Problemas para perceber segundas intenções (maldade) ou indiretas.

Sensibilidade emocional e social: Chorar compulsivamente ao se magoar e a rápida exaustão da “bateria social” em ambientes onde não pode ser ela mesma.

O Lado Difícil: Bullying e Incompreensão

A autora faz um alerta importante: “ser autista não é moda”. Ela relata que a condição é cansativa e frequentemente acompanhada por:

Sentimento de incompreensão por toda a vida.

Histórico de bullying, inclusive dentro do ambiente familiar.

Uma Percepção de Mundo Diferenciada

Apesar das dores, Luh exalta a beleza da mente neurodivergente. Ela afirma que autistas possuem uma visão de mundo mais profunda e intensa, sentindo cheiros, sabores e emoções com uma amplitude que a maioria das pessoas não percebe.

Espectro e Suporte

Ela esclarece um conceito fundamental sobre o autismo: não existe alguém “mais autista” que outro. O que existe é um espectro, onde cada indivíduo demanda diferentes níveis de suporte em áreas específicas da vida.

O relato termina de forma positiva e libertadora. Luh Pires afirma que está em um processo de autoaceitação, entendendo que não é “errada”, mas que seu cérebro apenas processa o mundo de uma forma diferente.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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