spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Autismo na terceira idade: o diagnóstico tardio que traz paz a famílias inteiras

Segundo as pesquisas do dr. Gilson Carlos especialista em transtornos mentais indicam que cerca de 300 mil idosos no Brasil podem estar no Transtorno do Espectro Autista (TEA) — a maioria sem diagnóstico. São homens e mulheres que envelheceram em uma época em que o autismo simplesmente não era discutido, muito menos reconhecido fora de quadros considerados “graves”.

Por décadas, esses idosos foram rotulados socialmente como “o tio esquisito”, “o avô ranzinza”, “a tia que não gosta de gente” ou até “o gênio difícil”. O que hoje é entendido como neurodivergência, no passado era visto como falha de caráter, falta de educação ou frieza emocional.

Uma herança invisível

O autismo possui forte componente genético. Por isso, não é raro que pais e avós se emocionem — muitas vezes chorando — durante consultas médicas, ao reconhecerem nos filhos ou netos traços que sempre existiram neles próprios ou em seus antepassados.

“Quando o profissional descreve os sinais do TEA na criança, muitos adultos percebem: ‘isso sempre foi comigo’”, relatam especialistas. Esse reconhecimento tardio costuma ser doloroso, mas também libertador.

Camuflagem social e sofrimento silencioso

Sem diagnóstico, muitos idosos desenvolveram mecanismos de defesa, conhecidos hoje como camuflagem social. Aprenderam a imitar comportamentos considerados “normais”, a esconder desconfortos e a suportar situações extremamente desgastantes.

O custo disso foi alto. Ansiedade severa, depressão, rigidez comportamental e isolamento emocional são comuns entre idosos autistas não diagnosticados, que passaram a vida inteira tentando se adaptar a um mundo que nunca foi pensado para eles.

Quando o “não” não é maldade

Uma imagem simbólica ajuda a ilustrar essa realidade: uma idosa segura um pequeno bolinho de aniversário, enquanto o texto explica que uma avó pode não tolerar festas, barulho ou aglomerações não por frieza ou desamor, mas por sobrecarga sensorial. Para ela, o som alto, as luzes e a movimentação podem ser fisicamente dolorosos.

“Pra que diagnosticar agora, aos 70 anos?”

O diagnóstico tardio não muda o passado, mas transforma o presente. Ele permite que o idoso compreenda que suas dificuldades não eram defeitos morais, e sim parte de uma condição neurobiológica. Para a família, o impacto é profundo: surge mais empatia, menos julgamento e uma nova forma de enxergar histórias antigas sob outra luz.

Um convite ao acolhimento

Especialistas reforçam a importância de não julgar os antepassados e de oferecer acolhimento aos avós que apresentam traços de TEA. Respeitar limites, adaptar convivências e validar experiências são formas reais de inclusão.

A mensagem central é clara e potente:

“A inclusão do seu filho começa respeitando a neurodivergência de quem veio antes dele.”

Uma imagem final reforça esse conceito ao mostrar três gerações — avô, pai e filho — segurando molduras de quadros, simbolizando que o autismo pode atravessar o tempo, as famílias e as histórias, pedindo não julgamento, mas compreensão.

spot_img
Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
- Conteúdo Pago -spot_img