O bombardeio norte-americano à Venezuela e o sequestro do presidente Maduro e sua esposa significam muito mais que apenas o apetite voraz de um império em decadência pelas maiores reservas de petróleo mundiais e a demonstração de poder geopolítico no seu “quintal”. Na verdade, é um acontecimento que ilustra o fim de uma era de domínio ocidental no planeta.
Cada bomba lançada sobre a Venezuela exibe ao mundo o grau de desespero de um império emparedado por novas forças globais econômicas e militares, e deixa claro a aceleração de sua marginalização global. Qual país confia nos EUA hoje, além dos bananas e vassalos de sempre?
Países antes aliados ou receosos em se opor ao domínio ocidental agora o desafiam, política e economicamente, priorizando relações comerciais com a China e acordos militares com a Rússia. Muitos desses entraram e outros tantos desejam entrar no BRICS Plus, organização dos países do Sul Global com cerca da metade da população mundial, que já ultrapassa o PIB dos países do G7, grupo dos países ricos aliados aos EUA.
E o que dizer da Guerra da Ucrânia por procuração? Onde a OTAN, a Organização dos Países do Atlântico Norte liderada pelos EUA, não consegue vencer a Rússia. Muito pelo contrário, está difícil disfarçar a derrota humilhante que estão sofrendo no palco de guerra ucraniano.
Há outro grave problema para o império. O aumento das trocas comerciais globais em outras moedas está reduzindo a demanda pelo dólar americano, o que causa sua desvalorização e vai atingir em cheio a Economia norte-americana, mais cedo ou mais tarde, diminuindo também seu poder de praticar sanções econômicas contra seus desafetos.
Não bastasse tudo isso, países asiáticos e africanos, cansados do neocolonialismo ocidental e de suas mentiras, se aproximam cada vez mais da China e Rússia. A desconfiança com o Império atinge também paises “amigos”, como Canadá e Dinamarca/Groelândia, ameaçados de invasão por Trump. Para completar, uma Europa fraca e com uma provável recessão no horizonte pioram bastante as coisas para o lado do outrora mundo colonialista ocidental.
A última cartada do império é a apropriação das riquezas da América Latina e transformar seus países e governos em protetorados norte-americanos. Essa é a estratégia da nova Doutrina Monroe comandada por Trump.
A ambição por poder e riqueza de um império em início de estágio terminal, que já não consegue manter a qualidade de vida de seus cidadãos, o faz apelar para o uso da força como forma de dominação e expropriação ilegais das riquezas de outros países. E essa aposta na desordem internacional explícita e roubo de riquezas em pleno século XXI atesta o seu próprio estado de finitude.



