Setembro Amarelo reforça atenção aos riscos psicossociais

O Setembro Amarelo amplia, todos os anos, a discussão sobre saúde mental, prevenção e acolhimento. No ambiente corporativo, o tema também ganha espaço à medida que as empresas passam a olhar com mais atenção para os riscos psicossociais e para a necessidade de estruturar processos capazes de identificar sinais, organizar informações e orientar ações de prevenção. Nesse contexto, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a importância de uma gestão mais sistemática dos fatores de risco presentes no trabalho.

Para Lucimara Costa, CAO da Nexti, psicóloga e especialista em gestão de pessoas e cultura organizacional, o principal avanço está em tratar saúde mental como um tema de gestão permanente, conectado à rotina das empresas e à realidade das equipes.

"Campanhas como o Setembro Amarelo ajudam a ampliar a conscientização, mas o cuidado com a saúde mental precisa estar incorporado ao dia a dia da organização. Acredito que tão importante quanto criar espaços de escuta é construir ambientes em que as pessoas se sintam seguras para sinalizar dificuldades e em que esses sinais sejam tratados com responsabilidade. Para o RH, isso significa criar canais de escuta, acompanhar indicadores, organizar informações e transformar os sinais identificados em ações concretas", afirma.

Em empresas de grande porte, especialmente aquelas com equipes distribuídas entre diferentes unidades, clientes e postos de trabalho, esse processo traz um desafio operacional adicional. Coletar informações de forma padronizada, alcançar diferentes públicos e manter histórico das respostas exige estrutura e capacidade de acompanhamento.

Dados ajudam a transformar escuta em gestão contínua

A tecnologia pode apoiar justamente a etapa que visa o uso de dados para uma gestão mais eficiente no departamento de Recursos Humanos. A Nexti, por exemplo, disponibiliza uma ferramenta de checklist que permite às empresas criar questionários personalizados relacionados a riscos psicossociais, definir quem deve responder, em qual período e por qual canal. As respostas podem ser realizadas pelo aplicativo do colaborador, pelo terminal biométrico ou por ambos.

O RH consegue acompanhar as informações em tempo real e gerar relatórios com filtros por colaborador, empresa, cliente, posto de trabalho e período. O processo também mantém histórico das respostas, com registro de data e hora, o que contribui para a rastreabilidade da gestão.

A ferramenta não realiza diagnóstico de riscos psicossociais, mas apoia a coleta, a organização e o acompanhamento das informações, que posteriormente devem ser analisadas pelas áreas de Recursos Humanos e pelos profissionais responsáveis por saúde e segurança do trabalho.

"Em operações grandes, um dos principais desafios é transformar percepções dispersas em informação organizada. A tecnologia ajuda a criar consistência nesse processo e dá ao RH uma visão mais estruturada da realidade. O valor está em conseguir identificar padrões, acompanhar mudanças e direcionar a análise para os pontos que exigem maior atenção", explica Lucimara.

Segundo a executiva, a discussão sobre NR-1 também pode estimular uma mudança na forma como as empresas tratam o tema. Em vez de concentrar esforços apenas em momentos de adequação ou em ações pontuais, o caminho tende a ser a construção de processos recorrentes de escuta e acompanhamento.

"Gestão de riscos psicossociais exige continuidade e, quanto mais estruturada for a coleta de informações, maior a capacidade da empresa de acompanhar a evolução do ambiente profissional, identificar fatores recorrentes e apoiar decisões com base em evidências. Além de responder a uma exigência regulatória, esse trabalho contribui para a construção de ambientes mais saudáveis e sustentáveis", acrescenta.

O Setembro Amarelo, nesse sentido, pode funcionar como um ponto de mobilização para ampliar o debate dentro das empresas. Para a Nexti, a oportunidade está em conectar conscientização a processos permanentes, com tecnologia apoiando o RH na organização das informações e na construção de uma gestão mais preventiva e orientada por dados.

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