A banda brasileira Afrodizia divulgou nesta semana o videoclipe da música "Racistas Não!", dirigido por Arnaldo Belotto. A produção, disponível no YouTube, foi criada com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e integra um projeto transmídia que inclui websérie, documentário, conteúdo educativo, game virtual e ações de comunicação voltadas ao debate sobre racismo algorítmico.
O objetivo do videoclipe é provocar reflexão sobre a forma como os algoritmos são treinados. Segundo a proposta dos autores, os sistemas de IA não são neutros; eles aprendem a partir de dados gerados pela sociedade, podendo reproduzir tanto preconceitos quanto valores de inclusão e justiça social.
A escolha de empregar IA na produção visual não se deu apenas por questões estéticas. O diretor Arnaldo Belotto afirmou que a tecnologia foi utilizada para transformar a própria ferramenta em parte do discurso, permitindo a materialização de cenários e metáforas que seriam inviáveis em prazos curtos. O processo criativo, porém, manteve a direção artística humana, com roteiro, pesquisa, curadoria de imagens e edição conduzidos por profissionais.
Tony Sheen, baterista e compositor da banda, destacou a relação entre tecnologia e sociedade: "Se os algoritmos aprendem com aquilo que recebem, precisamos discutir quais valores estamos ensinando às máquinas. A Inteligência Artificial não está separada da sociedade. Ela aprende com as nossas escolhas, nossos registros e nossas narrativas."
O projeto enfatiza que a IA foi empregada como ferramenta, não como criadora autônoma. Todas as etapas conceituais, desde a definição da linguagem visual até a edição final, foram realizadas por humanos, garantindo que a mensagem crítica seja orientada por uma perspectiva ética.
Com 27 anos de carreira, Afrodizia consolidou-se no reggae brasileiro, tendo participado de turnês internacionais e recebido o Prêmio Profissionais da Música 2025 na categoria Reggae. "Racistas Não!" reforça a tradição da banda de usar a música como meio de reflexão social, agora incorporando o debate sobre os desafios éticos da Inteligência Artificial.
O videoclipe está acessível no YouTube, enquanto a faixa pode ser ouvida nas plataformas digitais de streaming.





